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Vendas de imóveis novos crescem 17% no 1º trimestre, mas lançamentos recuam 7%

Presidente da Cbic alerta para alta dos preços acima da inflação, puxada por demanda forte e custos elevados

As vendas de imóveis novos no Brasil cresceram 17% no primeiro trimestre de 2025, de acordo com dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Em contrapartida, os lançamentos caíram 7%, totalizando 40.790 unidades, o que resultou em uma redução de 8% na oferta final de imóveis novos no país.

Segundo Renato Correia, presidente da Cbic, o desequilíbrio entre oferta e demanda deve pressionar os preços dos imóveis para cima, acima da inflação. Além da procura aquecida, ele destaca o aumento dos custos da construção como fator adicional. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumula alta de 7,54% até março, contra 5,48% do IPCA. “Os materiais continuam subindo, não em pico, mas consistentemente acima da inflação”, afirmou Correia em coletiva nesta quarta-feira (7).

Para Ieda Vasconcelos, economista-chefe da entidade, a queda nos lançamentos pode ser explicada pela incerteza provocada pela taxa de juros elevada, enquanto o crescimento das vendas reflete um mercado de trabalho ainda aquecido e o aumento da renda dos trabalhadores.

Impacto da Selic

A taxa básica de juros (Selic) foi apontada como o principal entrave do setor por 35% dos empresários ouvidos em sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A alta dos juros encarece o crédito imobiliário, desestimulando novos empreendimentos e reduzindo o poder de compra da população.

Para mitigar os efeitos da alta da Selic, o governo lançou uma nova faixa do programa Minha Casa, Minha Vida, voltada à classe média, atendendo famílias com renda entre R$ 8,6 mil e R$ 12 mil. A iniciativa conta com R$ 30 bilhões adicionais, sendo R$ 15 bilhões oriundos do Fundo Social do Pré-Sal.

Correia comparou o montante ao prejuízo estimado com a perda de recursos na caderneta de poupança, principal fonte de financiamento do crédito imobiliário, que já acumula saída de R$ 34 bilhões neste ano. “É um antídoto”, avaliou.

Guerra tarifária dos EUA

Questionada sobre os possíveis efeitos da guerra tarifária imposta pelos Estados Unidos, Ieda Vasconcelos disse que não se esperam impactos diretos sobre o setor da construção. No entanto, ela apontou o risco de desaceleração econômica global, o que pode afetar indiretamente o Brasil.

A Cbic manteve sua previsão de crescimento de 2,3% para o setor da construção civil em 2025, repetindo a projeção divulgada no final do ano passado.

Fonte: Redação
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