O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, alcançando 14,75% na decisão anunciada na noite de quarta-feira (7). A taxa já vinha de 14,25%, maior nível desde 2016, e agora atinge o maior patamar desde 2006.
O ciclo de aumentos, iniciado em setembro de 2024, tem como objetivo conter a inflação, que permanece acima da meta oficial. Além de controlar os preços, a alta da Selic impacta diretamente outras taxas de juros, como as aplicadas em financiamentos imobiliários.
Financiamento mais caro e mercado menos aquecido
Com juros elevados, os consumidores perdem poder de compra, o que reduz a quantidade de financiamentos e esfria o mercado imobiliário. A Selic também torna investimentos de renda fixa mais atraentes do que imóveis e poupança, deslocando parte dos recursos.
Segundo Peixoto Accyoli, CEO da RE/MAX Brasil, o impacto se estende ao funding do setor. “O financiamento habitacional no Brasil depende da caderneta de poupança. Com a migração de recursos para investimentos mais rentáveis, os bancos captam menos, limitando o crédito e pressionando as taxas para cima”, explica.
Para quem já possui financiamento, o efeito é indireto, refletido na pressão sobre o orçamento familiar, sobretudo entre famílias endividadas. A recomendação é considerar a portabilidade do financiamento, caso existam condições mais vantajosas em outras instituições.
Vale a pena financiar agora?
O aumento da Selic encarece o custo total do crédito, reduzindo o valor dos imóveis que podem ser financiados ou tornando as parcelas menos acessíveis. Isso tende a adiar a decisão de compra, especialmente entre a classe média.
Accyoli aponta que, apesar da expansão do crédito imobiliário desde 2016, há sinais de desaceleração. Para 2025, a expectativa é de um ambiente mais restritivo devido aos juros altos, à menor disponibilidade de recursos da poupança e à instabilidade fiscal e política no país.
No entanto, a Selic não é o único fator que influencia o financiamento. O custo da captação e a concorrência entre bancos também afetam as condições oferecidas. Para quem busca o primeiro imóvel, o financiamento ainda pode ser uma alternativa viável, desde que haja avaliação cuidadosa da capacidade de pagamento e do tipo de contrato.
Impactos no Minha Casa, Minha Vida
Os contratos do programa Minha Casa, Minha Vida são menos sensíveis à Selic, pois utilizam recursos do FGTS e contam com subsídios públicos. Isso permite a manutenção de taxas mais baixas e estáveis, mesmo em um cenário de juros elevados.
No entanto, a rentabilidade defasada do FGTS frente a outros investimentos pode pressionar por saques e comprometer sua sustentabilidade. Além disso, o aumento do custo de produção (materiais, mão de obra e crédito para incorporadoras) pode dificultar novos empreendimentos, especialmente nas faixas de renda mais baixa.
Quem já tem financiamento deve se preocupar?
De acordo com Accyoli, a maioria dos contratos no Brasil é firmada com taxa fixa, o que significa que as parcelas permanecerão as mesmas até o final do contrato, mesmo com a alta da Selic.
Já nos casos de contratos com taxas pós-fixadas ou indexadas à TR (Taxa Referencial), pode haver variações nos encargos. Por isso, é importante acompanhar a evolução dos índices e, se necessário, buscar renegociação ou portabilidade.


