Fortaleza – CE | terça-feira 15 de setembro de 2026 / 18:32

Revista Construa - Portal de notícias da construção civil, mercado e tecnologia

Financiamentos imobiliários caem 25% no Ceará, mas setor mantém expansão com apoio do FGTS

Alta dos juros e saídas da poupança reduzem crédito habitacional tradicional, enquanto programas como o Minha Casa, Minha Vida sustentam obras e lançamentos no estado.

O número de unidades financiadas com recursos da poupança no Ceará caiu cerca de 25% entre janeiro e setembro de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), foram 6.197 unidades financiadas, contra 8.228 em 2024, o que representa uma redução de quase 2 mil imóveis.O valor total financiado também recuou, passando de R$ 2,7 bilhões para R$ 2,2 bilhões, uma queda de 18%. A retração reflete o comportamento do crédito em todo o país, fortemente impactado pelas altas taxas de juros e pela diminuição da liquidez no sistema financeiro.

De acordo com Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), o cenário de crédito mais restrito não tem impedido o avanço do mercado imobiliário local.

“Mesmo com menos financiamentos via poupança, o setor segue em expansão, com novos lançamentos e boa absorção das unidades. O crédito do FGTS tem sido essencial para sustentar esse ritmo”, afirmou.

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) tem se consolidado como o principal motor do crédito habitacional, especialmente nas faixas de renda mais populares. Em 2024, o programa Minha Casa, Minha Vida foi responsável por impulsionar milhares de unidades no Ceará, garantindo emprego e ampliando o acesso à moradia.
Segundo Pedro Leão Bispo, professor de MBAs da FGV, o encolhimento do crédito via poupança é resultado de um processo estrutural. “A poupança vem perdendo representatividade há anos. Em setembro, as saídas superaram as entradas em R$ 15 bilhões — o terceiro mês consecutivo de saldo negativo”, destaca.

O especialista explica que o investidor busca hoje aplicações mais rentáveis e igualmente seguras, o que reduz o volume de recursos disponíveis para o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Apesar disso, ele afirma que o mercado imobiliário não deve ser afetado no médio prazo, já que novas fontes de funding estão ganhando força.

“O financiamento com recursos do FGTS bateu recorde em 2024, chegando a R$ 314 bilhões, e as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) também estão crescendo como alternativa. Há um déficit habitacional grande e oferta crescente de imóveis novos. O mercado está se ajustando naturalmente a essa nova realidade”, conclui Bispo.

Mesmo com a redução dos financiamentos tradicionais, o setor imobiliário cearense segue demonstrando resiliência e capacidade de adaptação, apoiado por novos instrumentos financeiros e políticas habitacionais que mantêm o ritmo de obras e lançamentos no estado.

Fonte: Redação
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

NOTÍCIAS RECENTES

PUBLICIDADE
Publicidade Haval
Publicidade Itaú Uniclass