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Movimentação portuária no Brasil cresce de forma estrutural e adiciona 35 milhões de toneladas em 2025

Avanço de 4% no volume de cargas reflete força do agronegócio e da mineração e reforça pressão por novos investimentos em infraestrutura

A movimentação de cargas nos portos brasileiros manteve uma trajetória consistente de expansão em 2025, com crescimento estimado em cerca de 4%, o que representa um acréscimo aproximado de 35 milhões de toneladas ao longo do ano. O resultado reforça o caráter estrutural do aumento da demanda por transporte e logística em todo o sistema portuário nacional.

A expansão foi impulsionada, sobretudo, pelo avanço contínuo da produção agrícola e mineral, sustentado por ganhos de produtividade e pelo maior dinamismo das exportações. Esse cenário confirma a tendência de crescimento de longo prazo da demanda por infraestrutura portuária no país.

Os dados foram apresentados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, em exposição conduzida pelo secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, pela diretora de Gestão e Modernização Portuária, Ana Bonfim, e pelo diretor de Novas Concessões Portuárias e Política Regulatória Portuária, Bruno Neri. Os representantes discutiram com analistas as oportunidades no setor e as transformações esperadas nos fluxos de carga doméstica nos próximos anos.

Demanda crescente evidencia gargalos operacionais
Segundo Ávila, o ritmo de crescimento da movimentação tem pressionado cada vez mais os gargalos operacionais existentes. A capacidade recentemente incorporada aos portos vem sendo rapidamente absorvida, o que evidencia a persistência de uma demanda latente nos principais corredores logísticos do país.

Nesse contexto, projetos estruturantes ganham relevância. O terminal de contêineres Tecon Santos 10, considerado um dos pilares da atual agenda portuária, aliado aos ganhos de eficiência observados nos Terminais de Uso Privado (TUPs), destaca o papel da coordenação entre poder público e iniciativa privada como principal vetor de expansão da capacidade do sistema.

Tecon Santos 10 reforça competitividade do maior porto do país
O Tecon Santos 10 deverá acrescentar cerca de 3 milhões de TEUs à capacidade atual do Porto de Santos, hoje estimada em aproximadamente 6,5 milhões de TEUs. O projeto é visto como essencial para elevar o nível de serviço e a competitividade do principal hub de contêineres do Brasil, ainda que não seja suficiente, por si só, para eliminar totalmente a demanda reprimida existente.

Em paralelo, os Terminais de Uso Privado seguem como protagonistas na movimentação de cargas. Atualmente, eles respondem por cerca de 60% do volume total movimentado no país, enquanto as áreas públicas arrendadas concentram os 40% restantes. Essa distribuição evidencia a complementaridade entre os dois modelos e reforça a importância do investimento privado na ampliação da capacidade portuária.

Arco Norte ganha protagonismo nos fluxos futuros
A expectativa do setor é que os portos do Arco Norte absorvam a maior parte dos volumes adicionais de exportação nas próximas décadas. Embora a produção agrícola esteja relativamente equilibrada entre as regiões Norte e Sul, os fluxos de exportação ainda se concentram majoritariamente no Arco Sul, responsável por cerca de 70% do total, com portos operando próximos aos seus limites físicos.

A avaliação predominante é que essa redistribuição não ocorrerá de forma abrupta. A tendência aponta para um compartilhamento gradual do crescimento incremental, à medida que novas capacidades forem sendo incorporadas nos portos do Norte.

Reconfiguração gradual da matriz logística
A ampla disponibilidade de áreas greenfield em portos como Aratu, Maranhão e Barcarena sustenta projeções de que a Região Norte deverá absorver parcela relevante do crescimento futuro, especialmente nos segmentos de grãos e fertilizantes. Esse movimento cria condições para uma reconfiguração progressiva da matriz logística brasileira, com maior equilíbrio regional e redução de pressões sobre os corredores tradicionais.

O cenário delineado pelo Ministério reforça que o crescimento da movimentação portuária não é episódico, mas resultado de mudanças estruturais na economia brasileira, exigindo planejamento, investimentos contínuos e integração entre políticas públicas e capital privado para sustentar a expansão nos próximos anos.

Fonte: Redação
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