Fortaleza – CE | segunda-feira 7 de setembro de 2026 / 19:28

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Wellness redefine o conceito de moradia e impulsiona novo padrão na construção civil

Mercado imobiliário do bem-estar cresce mais de 15% ao ano no mundo e ganha força no Brasil com empreendimentos que priorizam saúde, natureza e qualidade de vida

Um novo conceito de moradia ganha força no Brasil e no mundo: o mercado imobiliário do bem-estar, conhecido como wellness. Embora ainda represente apenas 3,3% da construção anual global, o segmento avança a um ritmo superior a 15% ao ano e deve alcançar US$ 1,1 trilhão em 2029, com destaque para a América Latina, segundo dados do Instituto Global de Bem-Estar referentes a 2025.

A busca por qualidade de vida, saúde, lazer e convivência passou a ter peso decisivo na hora da compra do imóvel, transformando o que antes era diferencial em critério de escolha para consumidores de diferentes faixas de renda.

Santa Catarina e Ceará despontam como polos

No cenário nacional, Santa Catarina se consolidou como principal destino desse tipo de empreendimento — geralmente condomínios horizontais no litoral, que combinam bom gosto, conveniência e conexão com a natureza. O Ceará, com seus mais de 600 km de costa, começa a se posicionar como novo polo do segmento.

A pandemia acelerou essa transformação ao redefinir o papel da casa como espaço simultâneo de descanso, trabalho, lazer e convivência. A demanda passou a exigir projetos que contemplem saúde física, mental e social, o que impõe avanços no urbanismo, na arquitetura e na infraestrutura dos empreendimentos.

Mudança estrutural no comportamento do consumidor

Para Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sinduscon-CE, o fenômeno não é passageiro. “Essa tendência representa uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que passou a valorizar mais saúde, equilíbrio e qualidade de vida”, avalia. Segundo ele, os projetos orientados ao wellness incorporam uma visão mais ampla do morar, com planejamento urbanístico que inclui áreas verdes generosas, espaços para prática esportiva, ventilação e iluminação naturais e ambientes que estimulem o convívio.

Os empreendimentos horizontais têm se destacado precisamente por oferecerem maior integração com a natureza, menor adensamento e mais espaço para infraestrutura de lazer. O presidente do Sinduscon-CE aponta que o wellness na construção tende a gerar maior valorização patrimonial no médio e longo prazo, tanto para moradia quanto para investimento.

Luxo simples e conexão com a natureza

No litoral cearense, empreendimentos mais despojados que privilegiam conforto e conexão com a natureza começam a redesenhar o setor. O engenheiro civil George Martins, diretor comercial da Maroa Curadoria Construtiva, destaca que a prática de esportes como o kitesurf atrai investidores de grandes centros, como São Paulo e Minas Gerais, para regiões como a Praia do Preá.

Para atender esse público, a indústria da construção incorpora materiais naturais como eucalipto e palha de carnaúba, além de sistemas voltados ao conforto. Entre os projetos de destaque na região, Martins cita o futuro hotel de alto luxo Vila Mango, em fase de definição da construtora, e o hotel seis estrelas Anantara, ambos alinhados ao conceito do luxo simples.

Bem-estar como valor central do morar

Aristarco Sobreira, presidente da A&B Incorporações, avalia que o wellness inicialmente se associa à segunda moradia, mas já impacta empreendimentos urbanos. Ele cita como exemplo o Artse Meireles, em Fortaleza, que incorpora o conceito com serviços integrados, academia no 14º andar, piscina semiolímpica e lobby inspirado na hotelaria, com concierge e espaços de coworking.

“Esse é o novo luxo que o mercado deseja”, afirma Sobreira. Para ele, qualidade e bom gosto podem estar presentes em projetos de diferentes faixas, e o setor deve viver um segundo semestre totalmente aderente ao conceito de bem-estar.

Fonte: Redação
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