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O mercado da construção civil brasileiro atravessa um momento de contrastes em abril de 2026. Se, por um lado, o setor comemora a geração robusta de empregos formais e números recordes no programa Minha Casa, Minha Vida, por outro enfrenta uma escalada nos custos de insumos agravada pelo cenário geopolítico internacional.

De acordo com o “Boletim da Construção” de abril, elaborado pelo Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o cenário exige atenção redobrada dos agentes do setor diante de riscos inflacionários que podem comprometer a sustentabilidade do crescimento.

Custos em alta puxados por conflitos internacionais

A persistência dos embates geopolíticos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã desencadeou o que analistas classificam como um “choque energético”, com reflexos diretos no preço do petróleo e do diesel. Essa pressão se propaga pela cadeia produtiva da construção, encarecendo fretes e derivados como asfalto e tintas.

Os números do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI) confirmam a tendência: o custo total acumulou alta de 6,7% em 12 meses. A mão de obra registrou o avanço mais expressivo, com aumento de 9,9%, enquanto os materiais subiram 4,4% no mesmo intervalo.

Emprego formal bate marca histórica

Apesar da pressão nos custos, o emprego formal no setor demonstrou forte resiliência. O número de trabalhadores com carteira assinada na construção civil atingiu a marca de 3 milhões em fevereiro de 2026, representando crescimento de 3% na comparação anual. O indicador reforça a capacidade do segmento de manter a geração de postos de trabalho mesmo em ambiente adverso.

A expectativa de atividade em âmbito nacional permanece estável e em patamar elevado de confiança, registrando 51,3 pontos. No entanto, o estado de São Paulo apresenta um quadro diferente, com o índice retornando ao território de pessimismo ao marcar 43,8 pontos.

Minha Casa, Minha Vida alcança recordes

O destaque mais expressivo do período ficou por conta do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que registrou marco histórico com expansão de 38,5% nos lançamentos e de 12,1% nas vendas acumuladas em 12 meses. Os resultados colocam o programa habitacional como o principal motor de aquecimento do setor residencial.

Em contrapartida, o mercado total de lançamentos residenciais apresentou leve retração de 1% em dezembro, sinalizando arrefecimento fora do segmento econômico.

Financiamento e consumo de materiais apresentam sinais mistos

As operações de financiamento com recursos do FGTS voltadas a novos imóveis registraram crescimento de 19,8% no ano. Já o crédito via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) segue prejudicado pelo patamar elevado dos juros, acumulando queda de quase 20% em 12 meses.

No campo dos materiais básicos, os dados indicam desaceleração. O consumo aparente de cimento apresentou viés negativo em fevereiro, com recuo de 0,3%, enquanto o aço longo manteve trajetória descendente, registrando redução de 3,1% no período de um ano.

O investimento do Governo Central em obras e instalações recuou 2,1% no acumulado anual, apesar de leve crescimento no investimento total. Enquanto isso, o preço dos imóveis, medido pelo IGMI-R, acelerou 19,7% em 12 meses, avançando em ritmo significativamente superior ao Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI), que subiu 5,7% no mesmo período.

Fonte: Redação
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