Fortaleza – CE | sexta-feira 4 de setembro de 2026 / 23:05

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Ceará registra salto no crédito habitacional impulsionado por novas fontes de recursos

Para contornar a queda na poupança e os juros altos, mercado aposta no FGTS e em títulos financeiros para manter o ritmo de financiamentos.

O mercado de moradias no Ceará tem mostrado notável resistência frente às adversidades econômicas. Dados recentes do Banco Central apontam que o estoque de crédito imobiliário no estado alcançou a expressiva marca de R$ 28,77 bilhões no início de 2026, configurando um salto de 16,1% na comparação anual. Essa expansão contínua encontra respaldo na força do emprego formal, no incremento da renda das famílias e em uma crônica falta de moradias adequadas.

A transição no financiamento das moradias

Por trás desse crescimento vigoroso, há uma mudança silenciosa nas engrenagens financeiras. Tradicionalmente, o dinheiro depositado na caderneta de poupança sempre foi o motor dos financiamentos residenciais. No entanto, com a fuga de capital dessa modalidade, o mercado precisou se reinventar. Artur da Silva Figueiredo, especialista em crédito da Central Sicredi Nordeste, destaca que alternativas como o FGTS e papéis de investimento (CRIs e LCIs) assumiram o protagonismo para garantir que a roda continuasse girando.

Essa diversificação foi crucial para driblar a taxa básica de juros, que historicamente penaliza o setor encarecendo as prestações. A manutenção da alta procura mesmo com o dinheiro mais caro evidencia que o déficit habitacional e as condições demográficas se sobrepõem às barreiras financeiras temporárias.

Cooperativas e programas públicos como catalisadores

As cooperativas de crédito têm aproveitado bem esse cenário. O Sicredi, por exemplo, viu sua carteira de empréstimos imobiliários no Ceará inchar 35% no último ano. A estratégia envolve a flexibilização das condições: eles chegam a bancar 90% do valor do imóvel, dividindo o saldo devedor em até três décadas e meia através de amortizações decrescentes, além de viabilizarem a portabilidade de contratos e o saque do FGTS para abater a dívida.

Na base da pirâmide, o incentivo vem dos cofres públicos. O fortalecimento do programa Minha Casa Minha Vida tem blindado as famílias de renda menor contra a oscilação dos juros, garantindo que o volume de negócios permaneça aquecido. A soma desses fatores — inovação privada e apoio governamental — desenha um horizonte promissor e diversificado para quem sonha com a casa própria nos próximos anos.

Fonte: Redação
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