As empresas responsáveis pela base estrutural do país enfrentam um cenário de subutilização de seus parques industriais. Durante um encontro promovido pela Coalizão Indústria, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) revelou que o setor opera atualmente com quase 40% de sua capacidade fabril paralisada. Segundo Paulo Camillo Penna, principal representante da entidade, essa ociosidade é o resultado de uma expansão forte que ocorreu na última década, mas que hoje não encontra vazão devido à freada no consumo.
Os números apresentados apontam que as fábricas têm potencial para entregar 109 milhões de toneladas de cimento anualmente, no entanto, a demanda interna tem esbarrado na marca de 67 milhões. A maior fatia desse volume é absorvida pelo modelo de varejo, diretamente impactado pelas dificuldades enfrentadas pelos consumidores médios que encaram juros elevados e a falta de crédito na praça.
Gargalos e a necessidade de descarbonização
Mesmo com as margens apertadas e uma perspectiva de crescimento tímido para este ano, a indústria do cimento segue focada em se alinhar a diretrizes mais ecológicas. Há um esforço contínuo na busca por maior eficiência nas operações e em processos que reduzam a emissão de gases de efeito estufa. Porém, os executivos avaliam que é crucial o retorno de incentivos fiscais, a exemplo da depreciação acelerada, para fomentar novas atualizações tecnológicas.
Os representantes do setor ressaltam que o Brasil carece de soluções urgentes para problemas históricos. A deficiência habitacional que ultrapassa as 5 milhões de unidades, aliada a estradas não asfaltadas e redes de esgoto inexistentes na maior parte dos municípios, são vistos como as frentes onde o governo deve atuar. Para as indústrias, investimentos a longo prazo nessas áreas são vitais não apenas para o reaquecimento das vendas de cimento, mas para o progresso da infraestrutura nacional de forma geral.
