Fortaleza – CE | domingo 6 de setembro de 2026 / 10:50

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Indústria de cimento cobra pacote robusto de obras públicas para alavancar crescimento

Operando muito abaixo de sua capacidade produtiva, o segmento alerta que a estagnação na infraestrutura e os juros altos freiam o desenvolvimento do país.

As empresas responsáveis pela base estrutural do país enfrentam um cenário de subutilização de seus parques industriais. Durante um encontro promovido pela Coalizão Indústria, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) revelou que o setor opera atualmente com quase 40% de sua capacidade fabril paralisada. Segundo Paulo Camillo Penna, principal representante da entidade, essa ociosidade é o resultado de uma expansão forte que ocorreu na última década, mas que hoje não encontra vazão devido à freada no consumo.

Os números apresentados apontam que as fábricas têm potencial para entregar 109 milhões de toneladas de cimento anualmente, no entanto, a demanda interna tem esbarrado na marca de 67 milhões. A maior fatia desse volume é absorvida pelo modelo de varejo, diretamente impactado pelas dificuldades enfrentadas pelos consumidores médios que encaram juros elevados e a falta de crédito na praça.

Gargalos e a necessidade de descarbonização

Mesmo com as margens apertadas e uma perspectiva de crescimento tímido para este ano, a indústria do cimento segue focada em se alinhar a diretrizes mais ecológicas. Há um esforço contínuo na busca por maior eficiência nas operações e em processos que reduzam a emissão de gases de efeito estufa. Porém, os executivos avaliam que é crucial o retorno de incentivos fiscais, a exemplo da depreciação acelerada, para fomentar novas atualizações tecnológicas.

Os representantes do setor ressaltam que o Brasil carece de soluções urgentes para problemas históricos. A deficiência habitacional que ultrapassa as 5 milhões de unidades, aliada a estradas não asfaltadas e redes de esgoto inexistentes na maior parte dos municípios, são vistos como as frentes onde o governo deve atuar. Para as indústrias, investimentos a longo prazo nessas áreas são vitais não apenas para o reaquecimento das vendas de cimento, mas para o progresso da infraestrutura nacional de forma geral.

Fonte: Redação
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