A sucata ferrosa exportada pelo Brasil perdeu força em maio na comparação anual, mas ainda mantém resultado positivo no acumulado de 2026. O insumo, usado na produção de aço, somou 76.609 toneladas vendidas ao exterior no mês.
O volume ficou praticamente estável frente a abril, quando foram exportadas 77.039 toneladas, mas representou queda de 11% em relação às 86.425 toneladas registradas em maio de 2025.
Acumulado ainda supera 2025
De janeiro a maio, as vendas externas chegaram a 390.338 toneladas, segundo dados do Ministério da Economia e da Secex. O número é 17% maior que as 333.502 toneladas embarcadas no mesmo período do ano passado.
As exportações correspondem aos excedentes que não foram absorvidos pelo mercado interno. Por isso, a leitura do setor depende tanto da demanda externa quanto do interesse das usinas brasileiras pelo material reciclado.
Mercado interno ganha atratividade
Para o Instituto Nacional da Reciclagem, o mercado ainda se ajusta à isenção de PIS e Cofins nas vendas para a indústria. A avaliação da entidade é que os embarques tendem a voltar a uma faixa entre 60 mil e 70 mil toneladas mensais nos próximos meses.
Com o fim dos impostos e uma demanda doméstica mais firme, os preços da sucata ferrosa permaneceram praticamente estáveis em junho, conforme levantamento da S&P Global Platts.
Compradores ouvidos pela agência associam a procura maior ao encarecimento do ferro-gusa básico desde o início do ano, movimento que pode tornar a sucata uma alternativa mais competitiva para parte da cadeia siderúrgica.
Tributação vira ponto central para recicladores
O Inesfa também destacou operações recentes da Polícia Federal e da Receita Federal contra sonegadores de material reciclado. Para a entidade, a fiscalização ajuda a reduzir concorrência desleal contra empresas que atuam formalmente.
Clineu Alvarenga, presidente do instituto, defende uma tributação homogênea para a reciclagem em todo o país, tanto no âmbito federal quanto estadual. A entidade acompanha a PEC da Reciclagem, que será analisada em comissão especial na Câmara dos Deputados.
O setor argumenta que a atividade ficou fora de correções importantes da reforma tributária e pode ser impactada por uma carga próxima de 27%. Para os recicladores, a solução passa por regras mais uniformes, capazes de estimular legalização, economia circular e fornecimento regular à indústria.
