Fortaleza – CE | terça-feira 8 de setembro de 2026 / 14:11

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Crédito imobiliário segue pesado mesmo com Selic menor

Corte pequeno na taxa básica não muda de imediato o custo do financiamento, especialmente fora dos programas subsidiados.

O crédito imobiliário deve continuar caro para boa parte dos compradores, mesmo após a redução da Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual ajuda a sinalizar uma mudança de direção, mas não altera imediatamente o custo dos financiamentos habitacionais.

O impacto é desigual. Famílias enquadradas no Minha Casa Minha Vida contam com juros subsidiados e ficam mais protegidas das oscilações de mercado. Já compradores fora do programa dependem de linhas mais sensíveis ao custo de captação dos bancos e às expectativas para os juros futuros.

Por que a Selic não resolve sozinha

Financiamentos imobiliários são contratos longos. Por isso, os bancos não olham apenas para a taxa básica atual ao definir as condições. Eles também consideram inflação esperada, juros futuros, risco de crédito e disponibilidade de recursos.

As principais fontes de dinheiro para financiar imóveis no país são a poupança, o FGTS e recursos de mercado, como LCI, CRI, fundos, capital próprio dos bancos e outras estruturas financeiras.

Quando a renda fixa paga retornos elevados, investidores tendem a retirar dinheiro da poupança. Esse movimento reduz uma fonte tradicional de recursos para crédito imobiliário e obriga instituições financeiras a buscar funding mais caro.

Minha Casa Minha Vida protege parte dos compradores

Famílias com renda de até R$ 13 mil que se encaixam no Minha Casa Minha Vida acessam condições subsidiadas, com recursos ligados principalmente ao FGTS. Nesses casos, a taxa do contrato não acompanha a Selic de forma direta.

A proteção, porém, não elimina todos os efeitos dos juros altos. A Taxa Referencial, usada para corrigir o saldo devedor, pode ficar mais elevada em períodos de aperto monetário e provocar aumentos graduais nas parcelas.

Classe média fica no trecho mais difícil

O maior desconforto aparece entre famílias que ganham acima do limite do programa, mas ainda não têm renda suficiente para financiar imóveis caros. Especialistas apontam esse grupo, muitas vezes entre R$ 13 mil e R$ 20 mil mensais, como um público em situação intermediária.

No Sistema Financeiro da Habitação, o teto do imóvel subiu para R$ 2,25 milhões e há limite legal de juros de 12% ao ano, mas as taxas praticadas já se aproximam desse patamar. Acima desse valor, as operações entram no Sistema de Financiamento Imobiliário, sem teto de juros e com maior exposição ao mercado.

Para quem pretende comprar, a decisão entre esperar ou financiar agora exige conta detalhada. Juros altos pesam nas parcelas, mas um imóvel desejado pode encarecer no futuro. Ao mesmo tempo, um mercado mais frio pode abrir espaço para negociar descontos e, posteriormente, buscar portabilidade se as taxas caírem.

Fonte: Redação
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