O mercado de transportes de carga terrestre está atravessando uma fase de turbulência severa. O custo da inovação ambiental cobrou um pedágio alto das montadoras e compradores, que agora lidam com um retrocesso significativo na renovação de suas frotas após a implantação obrigatória dos motores de padrão Euro 6.
Ao modernizar os veículos pesados para emitir menos poluentes, as fabricantes viram os preços saltarem violentamente nas concessionárias, afastando os frotistas. As consequências diretas desse movimento foram consolidadas nas planilhas recentes da Anfavea:
- Retrocesso nas projeções: A expectativa otimista do setor despencou, e a meta de emplacamentos para o ano teve de ser cortada drasticamente para 106,7 mil caminhões.
- Perdas acumuladas: O susto com as novas etiquetas de preço provocou um hiato de compras, resultando em mais de 18 mil veículos não faturados no biênio atual.
- Dificuldade de crédito: Para piorar a conta, as altas taxas de financiamento barraram os caminhoneiros autônomos, que não conseguem encaixar os pesados da nova geração em seus orçamentos.
Sem um pacote de incentivos agressivos ou o arrefecimento das tabelas de juros, o escoamento logístico do agronegócio e da construção civil corre o risco de passar a depender de caminhões com idade avançada e manutenção cara nas estradas federais.
