Um material que ficou restrito por décadas ao mercado europeu começa a despertar o interesse de incorporadoras e empresas de tecnologia no Brasil e nos Estados Unidos. A madeira engenheirada — conhecida internacionalmente como mass timber — reúne propriedades estruturais competitivas com o aço e o concreto e adiciona um diferencial que nenhum dos concorrentes oferece: o sequestro de carbono como atributo mensurável de ESG.
Da Europa ao mercado global: a trajetória do produto
Introduzida na Europa na década de 1990, a madeira engenheirada se apresenta sob diferentes formas industrializadas, como a madeira lamelada colada (MLC) e os painéis de madeira cruzada (CLT). Ao contrário da madeira convencional, esses produtos são fabricados por meio de laminações e colagens controladas, o que confere maior uniformidade estrutural, resistência ao fogo e estabilidade dimensional.
À medida que o mercado financeiro passou a vincular linhas de crédito e incentivos aos compromissos de ESG, construtoras e incorporadoras passaram a enxergar no produto uma vantagem competitiva tangível: não apenas a redução da pegada de carbono da obra, mas a possibilidade de certificação e comunicação mensurável do impacto ambiental positivo.
Startups e IA como vetores de escala
Um dos obstáculos históricos para a expansão do mass timber é a fragmentação da cadeia de fornecimento. Iniciativas como a plataforma Cambium buscam resolver esse gargalo conectando fornecedores de árvores reaproveitadas a construtoras e fabricantes, com o auxílio de inteligência artificial para rastreamento de origem, precificação e condições ambientais da madeira. A receita da empresa quintuplicou em um ano como resultado dessa abordagem tecnológica.
Outra empresa em destaque, a Mosaic Timber, com sede na Califórnia, produz painéis leves e resistentes ao fogo a partir de madeira com capacidade documentada de sequestro de carbono — atributo que tem atraído tanto o setor imobiliário de alto padrão quanto empresas de tecnologia em busca de sedes com credenciais ambientais sólidas.
Potencial e desafios para o mercado brasileiro
No Brasil, a escala necessária para tornar o produto competitivo em custo ainda é um desafio. A oferta de insumo é condicionada ao volume que as construtoras conseguem comprometer, criando uma barreira circular entre demanda e produção. O avanço do mercado depende, portanto, tanto de inovação logística quanto de mudanças no ambiente regulatório que facilitem o acesso às florestas manejadas e reaproveitadas como matéria-prima.
