Fortaleza – CE | quinta-feira 17 de setembro de 2026 / 08:01

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Infraestrutura e habitação popular sustentam o setor da construção civil frente aos juros altos

Enquanto o crédito caro afasta investidores de alto padrão, obras de infraestrutura e o programa Minha Casa, Minha Vida garantem a geração de empregos e vendas no setor.

O ano de 2026 tem sido um verdadeiro teste de resiliência para a economia brasileira, e a construção civil desponta como um dos poucos setores capazes de navegar pela turbulência dos juros elevados sem naufragar. Apesar do crédito mais caro sufocar novos lançamentos imobiliários tradicionais, a engrenagem do setor não parou. A explicação para essa sustentação não está em um milagre econômico, mas em uma reconfiguração estratégica do mercado, que agora opera impulsionado por dois motores principais: a infraestrutura e a habitação popular.

De um lado, o volume de contratações surpreendeu. Dados do primeiro semestre apontam que as obras de saneamento básico, concessões rodoviárias e grandes projetos de infraestrutura superaram a construção de edifícios na criação de vagas formais. O país se transformou em um vasto canteiro de obras estruturais, garantindo a manutenção da força de trabalho ativa.

O “efeito amortecedor” da habitação popular

No segmento imobiliário, o grande herói atende pela sigla MCMV. O programa Minha Casa, Minha Vida consolidou-se como o verdadeiro pilar de sustentação das incorporadoras. Concentrando expressivos 85% de todos os lançamentos e vendas nacionais, a faixa econômica é blindada da volatilidade do mercado graças ao acesso a linhas de crédito subsidiadas.

Essa dinâmica cria uma espécie de “efeito amortecedor”. Enquanto as construtoras com foco no médio e alto padrão recalibram suas operações — limitando novos lançamentos e focando na redução de estoques —, as empresas dedicadas ao nicho popular operam com as planilhas no limite de capacidade.

O preço da sobrevivência

Apesar do saldo positivo em contratações e volume de negócios, o otimismo no setor é contido. O encarecimento contínuo da taxa Selic não afeta apenas quem compra, mas espreme o capital de giro de quem constrói. Paralelamente, o custo de produção subiu. A inflação da mão de obra qualificada, cada vez mais escassa, tem pressionado as margens de lucro das construtoras, exigindo investimentos pesados em métodos construtivos industrializados e digitalização de processos para tentar baratear a obra.

A expectativa do mercado agora recai sobre os próximos movimentos da política monetária. A infraestrutura e a habitação de interesse social provaram que podem carregar o setor nas costas por um tempo, mas a plena recuperação e a retomada dos investimentos privados ainda dependem, inegavelmente, de uma guinada na taxa de juros.

Fonte: Redação
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