Fortaleza – CE | quinta-feira 17 de setembro de 2026 / 10:03

Revista Construa - Portal de notícias da construção civil, mercado e tecnologia

Juros elevados levam 32% das indústrias a buscar crédito bancário para financiar capital de giro

Estudo da CNI aponta que um terço do setor industrial aumentará seu endividamento bancário, com a maioria usando o crédito não para investir, mas para financiar o capital de giro.

O impacto de uma política monetária restritiva costuma ser analisado pela ótica da retração nos grandes investimentos. No entanto, para o setor industrial brasileiro, o problema já desceu alguns degraus e atingiu o caixa do dia a dia. Pressionadas por um cenário onde o dinheiro custa caro, as empresas estão se vendo obrigadas a bater na porta dos bancos apenas para manter as luzes acesas.

A constatação vem da recém-divulgada Consulta Empresarial sobre Juros, Crédito e Custos Financeiros, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento revela que 32% das indústrias preveem um salto no saldo de suas dívidas bancárias. Embora o número seja ligeiramente menor que os 45% registrados em junho, o alerta vermelho permanece aceso devido à destinação desse crédito.

Crédito caro para pagar o básico

O raio-X financeiro traçado pela CNI mostra uma distorção preocupante: o dinheiro emprestado não está virando maquinário novo ou expansão de fábricas. A esmagadora maioria das indústrias que projeta maior endividamento utilizará os recursos para oxigenar o capital de giro. Segundo os dados, 56% das empresas usarão o crédito para quitar contas a pagar, 50% para formar estoques e 49% para cobrir lacunas nas contas a receber.

Esse cenário desenha um ciclo vicioso. Com 60% dos empresários aguardando taxas de juros ainda maiores nas modalidades de crédito que já utilizam, o custo de simplesmente operar a fábrica encarece exponencialmente.

Margens de lucro comprimidas

A dificuldade de repassar essa fatura indigesta para o consumidor final é o ponto de ruptura. A pesquisa apontou que 57% das empresas industriais projetam uma redução agressiva em suas margens líquidas de lucro. Sem margem de manobra nos preços e pagando mais caro pelo dinheiro que financia a produção, a indústria corre o risco de estagnação.

Para os analistas econômicos, a leitura é clara: enquanto a Selic não proporcionar um alívio estrutural, a prioridade das empresas deixará de ser o crescimento sustentável para se concentrar na pura e simples sobrevivência financeira, afetando, em cascata, todo o ritmo de crescimento do país.

Fonte: Redação
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

NOTÍCIAS RECENTES

PUBLICIDADE
Publicidade Haval
Publicidade Itaú Uniclass