O recente alívio na política monetária nacional trouxe à tona um grande paradoxo para o mercado de imóveis. Mesmo com o Banco Central anunciando a redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual — fixando-a em 13,75% ao ano —, o custo dos financiamentos continua sendo uma verdadeira barreira para a expansão de novos negócios, especialmente para os imóveis de médio e alto padrão.
A maior preocupação recai sobre a nova política de crédito habitacional, que impõe um teto de 12% ao ano para financiamentos de propriedades avaliadas entre R$ 600 mil e R$ 2,25 milhões. Com a taxa básica orbitando a casa dos 13,75%, as instituições financeiras enfrentam margens espremidas e dificuldades matemáticas para adequar seus produtos a essa nova exigência governamental, que passará a ser mandatória a partir de 2027.
O movimento de corte, que já é o quinto consecutivo promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), tirou a Selic do platô de 15% onde permaneceu engessada por meses. Contudo, para os gigantes da construção civil, o ritmo está aquém do necessário.
Entidades como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) e a Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) alertam que a manutenção dos juros em dois dígitos asfixia o planejamento a longo prazo e retarda lançamentos. O setor argumenta que a construção perdeu dinamismo no último trimestre e que o prolongamento do cenário restritivo afasta compradores e compromete a saúde financeira das famílias.
No mercado financeiro, o clima é de divisão. Enquanto alguns preveem que o ciclo de cortes parou por aqui devido à pressão inflacionária persistente e ao cenário fiscal desafiador, outros projetam que a taxa possa atingir 13,25% até o fim de 2026. Por ora, os bancos estudam solicitar o adiamento das novas regras do crédito imobiliário para 2028, em busca de fôlego para equacionar suas carteiras.


