Fortaleza – CE | segunda-feira 21 de setembro de 2026 / 14:06

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Setor da construção pode ter déficit de 500 mil engenheiros até 2030

Com déficit atual de 75 mil profissionais e 90% das empresas sem conseguir contratar quem precisa, a construção civil enfrenta um gargalo estrutural de mão de obra qualificada.

O Brasil tem hoje cerca de 1 milhão de engenheiros registrados no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Em números absolutos, o volume parece expressivo. Mas em proporção à população, o país conta com apenas seis engenheiros para cada mil habitantes — percentual muito abaixo dos 25 por mil registrados em países desenvolvidos. Essa diferença se traduz em um gargalo que já compromete o ritmo da construção civil brasileira.

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon) estima que o déficit atual chegue a 75 mil profissionais. E as projeções são ainda mais preocupantes: se nada mudar, a carência pode ultrapassar 500 mil engenheiros até 2030 — um cenário que coloca em risco projetos de infraestrutura, habitação e desenvolvimento urbano em todo o país.

Quase todas as empresas sentem o impacto

Os dados reforçam a percepção do mercado. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que 90% das empresas do setor enfrentam obstáculos para encontrar profissionais qualificados. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) complementa: 22,4% das indústrias relatam dificuldade específica para contratar engenheiros.

“A CNI aponta a falta de trabalhadores qualificados como um dos maiores entraves. Na região, isso é agravado pela nossa vocação: a expansão do Porto de Santos, o Polo de Cubatão e o boom imobiliário, que exigem um perfil altamente técnico que simplesmente não encontramos em volume e prontidão suficientes”, afirma Alexandre Euzébio, diretor de Inovação, Ciência e Tecnologia da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (Aeas).

Especialidades mais críticas

No litoral paulista, as lacunas são ainda mais específicas. Segundo Euzébio, as principais ausências estão em profissionais com domínio em dragagem, estudo de solos e geotecnia. “Áreas de superespecialização não têm ofertas constantes de trabalho, requerem profissionais com muita experiência e isso afasta os recém-formados de procurar se especializarem nestas áreas”, explica.

Para Lucas Teixeira, diretor regional do Sinduscon-SP, a escassez é sistêmica e atinge praticamente todas as funções da construção. “No caso dos engenheiros, também existe essa dificuldade, especialmente diante da necessidade de profissionais cada vez mais preparados para acompanhar a evolução dos métodos construtivos e das novas tecnologias”, avalia.

Perfil mais exigente, mercado mais seletivo

A demanda não é apenas por quantidade, mas por qualidade. A maior parte do déficit concentra-se no Sudeste — particularmente em São Paulo — em razão do porte e da diversidade das obras em execução na Baixada Santista e no entorno do Porto de Santos.

“Há uma demanda crescente por profissionais que, além da formação acadêmica, tenham experiência prática, qualificação técnica e domínio das novas ferramentas utilizadas pela construção civil”, completa Teixeira. O quadro projeta um cenário de pressão crescente sobre salários, prazos e custos — e coloca a formação de engenheiros como pauta urgente para o setor e para as políticas públicas de educação e trabalho.

Fonte: Redação
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