Fortaleza – CE | segunda-feira 21 de setembro de 2026 / 14:06

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Queda da Selic chega a Fortaleza com cautela e efeito gradual

Especialista em incorporação imobiliária avalia que construção civil e imóveis são os primeiros setores a sentir a flexibilização dos juros, mas benefícios para a população de baixa renda virão com defasagem.

A redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano — quinta queda consecutiva decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) — não vai chegar ao cotidiano de Fortaleza de forma imediata nem uniforme. A avaliação é de Fernando Moreno, especialista em incorporação imobiliária e governança empresarial, que explica por que o efeito do corte é mais complexo do que o número sugere.

“O mercado funciona muito pelas expectativas e, nesse sentido, a trajetória de redução dos juros já vinha sendo antecipada pelos agentes econômicos. Em maio, inclusive, eu trabalhava com uma Selic próxima de 13% ao final do ano. Portanto, parte desse movimento já estava incorporada às decisões de empresas, investidores e consumidores”, afirma Moreno. “O principal efeito agora é a confirmação de uma tendência de flexibilização monetária que pode produzir impactos graduais sobre a economia real.”

Construção civil e imóveis na linha de frente

Entre os setores com maior sensibilidade à variação dos juros, Moreno destaca a construção civil, a incorporação imobiliária e o comércio de bens duráveis. Em Fortaleza, o mercado imobiliário já havia reportado desempenho positivo nas vendas ao longo do primeiro semestre do ano, ainda que muitas incorporadoras estejam ajustando o ritmo de novos lançamentos para evitar a formação de estoques.

“A redução dos juros pode reforçar esse movimento, melhorando gradualmente as condições de financiamento e a disposição dos agentes econômicos para assumir compromissos de longo prazo”, avaliou o especialista.

Crédito ainda caro para investir sem planejamento

Mesmo reconhecendo o sinal positivo do corte, Moreno alerta que o ambiente de crédito ainda exige cautela. As taxas cobradas de empresas e consumidores incorporam componentes adicionais ao da Selic — como risco de crédito, prazo, garantias e spread bancário. Por isso, uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica não representa uma queda automática e proporcional nas taxas de financiamento.

“Ao mesmo tempo, não acredito que seja um momento de paralisia. Projetos que aumentem produtividade, eficiência ou capacidade de geração de receita podem continuar avançando. O ponto central é a seletividade na alocação de capital”, detalhou.

Famílias de baixa renda sentem menos no curto prazo

Para as classes C, D e E, que representam cerca de 85% da população de Fortaleza e da Região Metropolitana, o impacto imediato tende a ser menor. O especialista lembra que a queda da Selic não reduz diretamente o preço dos alimentos — item de peso relevante no orçamento dessas famílias.

“A queda da Selic não reduz diretamente o preço dos alimentos. Seus efeitos chegam por outros canais, principalmente crédito, consumo, investimento, atividade econômica e, eventualmente, geração de emprego e renda”, concluiu Moreno. A transmissão da política monetária para a economia real ocorre com defasagem — e é esse intervalo que separa o anúncio do Copom da percepção concreta das famílias cearenses.

Fonte: Redação
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