Uma retroescavadeira que avisa antes de quebrar. Um orçamento que se atualiza sozinho quando o engenheiro muda o revestimento no projeto. Um software que lembra que todo setembro a cadeia de suprimentos trava. Essas situações, que até há pouco pareciam cenários distantes, estão começando a fazer parte da rotina de construtoras e incorporadoras que apostam na gestão de dados como diferencial para 2026.
O contexto favorece a mudança. A Fundação Getulio Vargas (FGV) projeta um crescimento de 2,7% para a construção civil brasileira em 2026, sustentado por maior confiança do mercado e pela reorganização interna das empresas do setor. E, nesse cenário, a tecnologia deixa de ser um acessório e passa a ocupar o centro das decisões estratégicas.
O problema que os dados tentam resolver
O gargalo é antigo e bem conhecido: o orçamento fica em uma planilha, o cronograma em outro sistema e o registro de manutenção dos equipamentos em um terceiro. Esses bancos de dados isolados não se comunicam, o que dificulta decisões rápidas e compromete a previsibilidade das obras — os custos só aparecem quando já é tarde para contorná-los.
O BIM 5D representa uma das respostas mais concretas a esse problema. Incentivado pelo mercado e com tendência de se tornar obrigatório em obras públicas pela Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/21), o modelo integra projeto, custo e cronograma em um único ambiente. Qualquer alteração no projeto — como a substituição de um tipo de revestimento — recalcula automaticamente o custo total e o impacto no prazo, sem a necessidade de retrabalho manual.
Sensores e inteligência artificial no canteiro
Outro caminho em expansão é o uso de sensores de IoT aplicados diretamente aos equipamentos de obra. Uma vibração fora do padrão captada por um sensor instalado em uma retroescavadeira pode indicar uma falha em formação — e permitir que a manutenção seja feita antes da parada não programada, que historicamente custa bem mais caro do que a preventiva.
Softwares com módulos de inteligência artificial avançam na mesma direção: ao aprender com o histórico de cada obra, identificam padrões sazonais que passariam despercebidos em uma análise convencional. Gargalos recorrentes na cadeia de suprimentos, por exemplo, podem ser antecipados e mitigados com planejamento mais preciso.
Jean Ferrari, CEO da FastBuilt, argumenta que a construção civil em 2026 precisará tratar o uso estratégico de tecnologia e dados como diferencial competitivo — e não apenas como ferramenta operacional. O ponto não é substituir profissionais experientes, mas dar a eles informação suficiente para tomar decisões melhores, com mais velocidade e menos improviso.
Infraestrutura de dados como base do processo
Para que esse ecossistema funcione, é preciso que a infraestrutura de dados das empresas seja confiável e integrada. É nessa camada que entram empresas como a MigraTI, companhia catarinense sediada em Blumenau (SC), fundada em 2013, que presta serviços de sustentação e consultoria de bancos de dados — Oracle, SQL Server, PostgreSQL e MySQL/MariaDB — para diferentes segmentos, incluindo a construção civil.
A lógica, no fim, é a mesma para toda a cadeia: transformar dados antes dispersos em decisões mais previsíveis sobre custo, prazo e manutenção. Com o setor projetando crescimento e a concorrência se tornando mais técnica, a pergunta que as empresas precisam responder não é mais “se” vão investir em dados — mas “quando” vão começar a perder espaço para as que já investiram.


