Fortaleza – CE | quinta-feira 1 de outubro de 2026 / 16:04

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Juros altos freiam compras de máquinas e fecham 24 mil postos

Com crédito caro e demanda doméstica enfraquecida, setor de bens de capital acumula recuo de 11,6% no consumo em 2026.

“O desaquecimento das vendas internas decorre dos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito corporativo.” A frase, publicada pela Abimaq em nota oficial, resume com precisão o quadro do setor de máquinas e equipamentos no país em agosto. Com taxas de juros reais elevadas encarecendo o financiamento de bens de capital, os investimentos minguaram — e o mercado de trabalho sentiu o golpe.

Os dados da associação mostram que os investimentos em máquinas e equipamentos somaram R$ 33,15 bilhões em agosto, uma queda de 5,2% sobre o mesmo mês de 2025. Na comparação com julho, o recuo foi de 4,2%. No acumulado de janeiro a agosto, o consumo aparente — que mede a demanda doméstica total — caiu 11,6% em relação ao mesmo período do ano passado, combinando menor procura por equipamentos fabricados no país e avanço das importações.

A receita do setor também encolheu. Em agosto, o faturamento líquido total atingiu R$ 22,93 bilhões, queda de 6,2% ante julho e retração de 15,5% na comparação anual. Nos oito primeiros meses de 2026, o faturamento acumulado chegou a R$ 177,6 bilhões, uma redução de 13,2% frente ao mesmo intervalo de 2025. No mercado interno, a receita de agosto foi de R$ 16,84 bilhões, com contração de 9,7% mensal e 16,4% anual.

O emprego foi outra vítima do arrefecimento. O segmento encerrou agosto com 403.294 trabalhadores ocupados, queda de 2,6% sobre julho e de 5,6% sobre agosto de 2025. Segundo a Abimaq, isso equivale ao fechamento de aproximadamente 24 mil postos em 12 meses — um dado que contrasta com a expansão registrada em outros setores da economia.

No comércio exterior, o cenário foi mais positivo para as importações do que para as exportações. As compras externas somaram US$ 2,98 bilhões em agosto, alta de 1,1% mensal e de expressivos 16,7% em 12 meses. As vendas ao exterior movimentaram US$ 1,18 bilhão, com alta mensal de 4,6%, mas recuo de 6,3% na comparação anual. Com isso, o déficit comercial do setor chegou a US$ 13,39 bilhões no acumulado do ano.

A China segue dominando as importações: com US$ 8,0 bilhões e crescimento de 18,8%, o país asiático deteve 36% de tudo que o Brasil comprou no exterior em máquinas e equipamentos. A participação de fabricantes importados no consumo aparente doméstico subiu para 47,6%, acima dos 45,3% de um ano antes, sinalizando crescente substituição da produção nacional por bens estrangeiros. Apesar do ambiente adverso, o nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) subiu para 79,6% e a carteira de pedidos avançou para 10,1 semanas, sinais de que a retomada pode estar se aproximando.

Fonte: Redação
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