A industrialização da construção avança no Brasil, mas em passos curtos. O Índice Geral de Industrialização da Construção (IGIC), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), passou de 14,8 pontos em 2025 para 15,7 pontos em 2026. O dado foi apresentado no Modern Construction Show, evento que reuniu lideranças do setor em São Paulo, de 29 de setembro a 1º de outubro.
Os números do levantamento
- O IGIC subiu de 14,8 para 15,7 pontos entre 2025 e 2026;
- O uso de componentes produzidos em fábrica nas obras passou de 26,4% para 33,6% no mesmo período;
- A metodologia Lean pode elevar a produtividade entre 20% e 30%;
- Pré-fabricados exigem planejamento rigoroso e bem organizado no canteiro.
Na prática, mais obras no país já são montadas a partir de peças prontas, em vez de erguidas tijolo a tijolo. Ainda assim, o método está longe de ser regra, e a evolução do índice mostra um setor que se move com cautela.
A escassez de trabalhadores como motor da mudança
Segundo Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da FGV, o principal gatilho é a dificuldade de encontrar mão de obra. Sem pessoal suficiente, as empresas procuram formas de construir mais rápido e com menor dependência de trabalho manual. Entidades do setor também passaram a estimular o uso de tecnologias de fábrica.
A especialista lembra, porém, que a construção é um segmento heterogêneo, com obras de portes, orçamentos e capacidades muito distintos. Nas residenciais, ganhar velocidade pode gerar um impasse com o financiamento: se a obra termina antes do previsto, o banco pode ter de liberar recursos sem mecanismo para cobrar o pagamento, o que pede novas regras de crédito.
Lean: menos desperdício, mais produtividade
Outra frente de ganho vem da metodologia Lean, nascida na indústria manufatureira, como a automotiva e a eletrônica. A lógica é eliminar perdas de tempo, material e esforço. Para Flavio Picchi, do Lean Institute Brasil, o mais relevante é a mudança de mentalidade: cada trabalhador deve atuar como solucionador de problemas, identificando falhas e corrigindo-as na hora.
Segundo ele, o método organiza o canteiro, reduz deslocamentos desnecessários e melhora o fluxo de trabalho, com ganhos de produtividade que variam de 20% a 30%.
Pré-fabricados exigem planejamento perfeito
Os elementos de concreto prontos, como blocos e vigas, também ganham espaço. Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, da Indicon, avalia que esses materiais só entregam bons resultados quando a obra é muito bem planejada. Em suas palavras, os pré-fabricados são o caminho inevitável para melhorar a produtividade.
A razão é logística: com peças prontas, cada etapa, do início à entrega, precisa ser coordenada para que o material chegue na hora e no lugar certos. O avanço da pré-fabricação, portanto, anda junto com mais organização de todo o processo, condição para extrair a máxima eficiência da industrialização da construção.


