Fortaleza – CE | segunda-feira 19 de outubro de 2026 / 13:57
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Dependência bancária restringe crédito para a indústria fabril

Levantamento da CNI revela que juros elevados e exigência de garantias levam um terço dos pequenos negócios a operar com recursos abaixo do ideal.

A dependência do sistema bancário convencional continua sendo a tônica na captação de recursos corporativos no Brasil. Segundo os dados da Sondagem Especial nº 107 divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 65,3% das empresas do setor que buscaram crédito para a indústria entre fevereiro e julho de 2026 recorreram a instituições financeiras comerciais tradicionais para contratos de curto e médio prazo, patamar superior aos 61% registrados no período comparável do ano anterior.

Uso do capital próprio entre estratégia e necessidade

Nas linhas de prazo dilatado, acima de cinco anos, os bancos tradicionais também mantiveram a dianteira, respondendo por 49,5% da procura fabril. No entanto, o comportamento das reservas internas chamou a atenção dos analistas: o capital próprio apareceu como a segunda maior fonte de custeio corrente (23,6%), superando os bancos de desenvolvimento (18,5%).

Especialistas da entidade alertam que a queima de caixa corporativo nem sempre traduz solidez operacional. Quando o reinvestimento de lucros é adotado compulsoriamente em decorrência de taxas de juros proibitivas ou de recusas de financiamento, as fábricas acabam comprometendo seu orçamento de expansão e modernização tecnológica apenas para cobrir despesas operacionais correntes.

Barreiras de garantias para pequenos fabricantes

O cenário de concessão aprofunda as assimetrias no parque produtivo nacional. Enquanto grandes corporações conseguem negociar prazos e montantes integrais, as pequenas indústrias enfrentam as maiores restrições cadastrais: 33,3% dos pequenos negócios que contrataram crédito de curto prazo receberam volumes menores que as quantias solicitadas, percentual que sobe para 34,4% nas operações de longo curso.

A falta de garantias reais exigidas pelas instituições financeiras e o menor poder de barganha colocam as micro e pequenas indústrias sob constante pressão de liquidez. Para o setor produtivo, a expansão de fundos garantidores e o fortalecimento de canais de fomento público-privados são passos indispensáveis para destravar a competitividade fabril no país.

Fonte: Redação
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