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Setor de obras freia em agosto com menor emprego desde 2017

Sondagem da CNI e CBIC aponta que juros altos, pressão de custos e incerteza eleitoral frearam o setor no período.

A indústria da construção civil encerrou agosto no vermelho. O índice que mede o desempenho do setor caiu 2,6 pontos em relação ao mês anterior, passando de 47,3 para 44,7 pontos — resultado que ficou 2,9 pontos abaixo da média histórica para o período. Os dados integram a Sondagem Indústria da Construção, levantamento realizado em conjunto pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

A perda de fôlego não ficou restrita ao volume de obras. A utilização da capacidade operacional nos canteiros também recuou, passando de 66% para 65% — a segunda queda consecutiva do indicador. Apesar disso, o patamar ainda se manteve acima da média histórica para o mês, que é de 63%.

Emprego no menor nível em quase uma década

A situação mais preocupante do levantamento veio do mercado de trabalho. O índice de evolução do emprego no setor caiu 2,5 pontos, de 48,3 para 45,8, registrando o pior resultado para um mês de agosto desde 2017. O número acende um sinal de alerta para os trabalhadores do segmento, historicamente um dos principais geradores de empregos no país.

A combinação de juros elevados, pressão crescente sobre os custos de produção e um ambiente político carregado por incertezas pré-eleitorais aparece como os principais fatores que derrubaram o ritmo do setor ao longo de 2026. A proximidade das eleições, segundo analistas do setor ouvidos pela CNI, tende a postergar decisões de investimento, represando novos projetos.

Expectativas também pioram para os próximos meses

O cenário prospectivo não trouxe alívio. Todos os quatro indicadores de expectativas da indústria da construção recuaram em setembro, incluindo os índices de nível de atividade, novos empreendimentos, compras de insumos e número de empregados — três deles saíram da zona positiva (acima de 50 pontos) para abaixo do limite, indicando contração esperada nos próximos seis meses.

A intenção de investimentos também registrou retração expressiva, caindo de 42,4 para 39,7 pontos — o menor patamar para setembro desde 2019. Já o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção recuou 1,7 ponto, refletindo a piora na percepção tanto das condições atuais quanto das perspectivas para a economia.

Fonte: Redação
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