O ritmo de encarecimento das obras no Brasil perdeu força no fechamento do terceiro trimestre. O custo da construção civil registrou variação de 0,30% em setembro, desacelerando frente aos 0,44% observados em agosto e aos 0,81% anotados em julho. Trata-se do segundo menor índice mensal registrado ao longo de 2026, acima apenas do resultado apurado em janeiro, quando a taxa ficou em 0,19%.
Os dados constam do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), divulgado conjuntamente pelo IBGE e pela Caixa Econômica Federal. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, o índice alcançou 4,04%, enquanto o avanço acumulado nos últimos 12 meses fixou-se em 4,96%.
Composição do custo por metro quadrado
Em valores monetários, o metro quadrado construído no país encostou na barreira psicológica de R$ 2 mil, passando de R$ 1.993,76 em agosto para R$ 1.999,73 em setembro. A divisão dos gastos revela que:
- Materiais de construção: responderam por R$ 1.127,17 do valor global;
- Mão de obra: representou R$ 872,56 por metro quadrado.
A parcela dos materiais desacelerou para 0,28% no mês, uma redução de 0,07 ponto percentual em relação a agosto. Já os custos com pessoal avançaram 0,33%, desacelerando perante os 0,55% do mês anterior, em um período com registro de apenas dois dissídios coletivos formalizados no país.
Desempenho no acumulado de 2026
No recorte do terceiro trimestre, os materiais acumularam alta de 4,54%, ao passo que a mão de obra subiu 7,31%. Na análise de 12 meses, os insumos acumulam elevação de 5,54%, contra 8,53% das despesas com trabalhadores, demonstrando que a folha de pagamentos segue como o principal vetor inflacionário das construtoras.
Disparidades regionais e acordos coletivos
Entre as grandes regiões geográficas, o Centro-Oeste apresentou a maior variação mensal do país em setembro, ao atingir 1,34%, impulsionado por reajustes salariais generalizados em seus estados. Na liderança estadual, o Mato Grosso registrou alta expressiva de 3,34% no mês, decorrente de convenção coletiva do setor.
Na sequência das maiores altas estaduais figuraram Alagoas (1,84%), Goiás (0,72%) e Roraima (0,61%). Em contrapartida, a Região Sul teve a menor variação do país, com 0,07%, seguida pelo Sudeste (0,14%), Norte (0,16%) e Nordeste (0,32%).


