Fortaleza – CE | quinta-feira 15 de outubro de 2026 / 14:32

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Construção civil avalia impactos do fim da escala 6×1

Estudo da CBIC aponta que mudança na jornada pode encarecer obras públicas e reduzir em 30 mil as moradias populares entregues anualmente.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que o término da jornada na modalidade 6×1 exigirá a admissão de aproximadamente 288 mil operários adicionais nos canteiros de obras de todo o país já a partir de 2027. O levantamento técnico foi divulgado logo após o Senado Federal aprovar em dois turnos o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra o regime de seis dias trabalhados por um de descanso semanal remunerado.

De acordo com o diagnóstico setorial, o impacto operacional da redução da carga horária repercutirá de maneira direta nos orçamentos de empreendimentos habitacionais de interesse social e nos grandes contratos de infraestrutura nacional. A CBIC enfatizou que, embora reconheça a importância social da discussão trabalhista e a busca por melhores condições de vida para os operários, uma alteração dessa magnitude desprovida de um período escalonado de transição pode desequilibrar contratos vigentes e desacelerar expressivamente o cronograma de entregas essenciais no país.

No âmbito do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, as simulações quantitativas elaboradas pela entidade indicam uma retração anual de quase 30 mil moradias financiadas. Essa diminuição no ritmo de lançamentos e construções representará, em termos práticos, cerca de 83 mil pessoas a menos com acesso à residência própria a cada doze meses, em decorrência da elevação expressiva nos custos unitários de edificação.

O setor de saneamento básico também figura entre as áreas mais vulneráveis aos desdobramentos operacionais e financeiros da proposta. Conforme a entidade patronal, as despesas trabalhistas suplementares podem frear investimentos privados e parcerias público-privadas voltadas à universalização do abastecimento de água tratada e do tratamento de esgoto, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde os déficits históricos de infraestrutura urbana são mais críticos e demandam celeridade.

A matéria aprovada pelos senadores recebeu 75 votos favoráveis em duas votações plenárias consecutivas, com apenas um voto contrário do senador Hamilton Mourão e três ausências registradas. Diante do avanço legislativo em direção à Câmara dos Deputados, representantes da cadeia produtiva da construção civil pretendem articular mecanismos regulatórios de transição gradual. O objetivo central é permitir que construtoras e fornecedores reestruturem métodos construtivos, turnos e fluxos financeiros, prevenindo desequilíbrios contratuais, atrasos generalizados e eventuais paralisações em obras públicas prioritárias.

Fonte: Redação
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