Fortaleza – CE | quinta-feira 15 de janeiro de 2026 / 05:19

Construtechs avançam em número, mas investimentos seguem cautelosos no ecossistema da construção civil

Estudo da Liga Ventures mapeia 267 startups ativas no país e aponta industrialização, digitalização e IA como vetores centrais da modernização do setor.

A Liga Ventures, consultech especializada em inovação e transformação baseada em tecnologia, divulgou um novo estudo que traça um panorama atualizado da evolução das construtechs no Brasil. O levantamento mostra um ecossistema em expansão em número de startups, embora ainda marcado por cautela nos investimentos e na adoção de tecnologias mais avançadas.

De acordo com o relatório, as construtechs brasileiras captaram R$ 16 milhões em investimentos ao longo de 2025 até o momento, distribuídos em três transações. O volume representa uma desaceleração em relação a 2024, quando o setor registrou R$ 68 milhões em aportes, realizados em dez rodadas de investimento.

Panorama das startups ativas

Ao todo, o estudo mapeou 267 construtechs em operação no país, que utilizam diferentes tecnologias para transformar processos, produtos e serviços na cadeia da construção civil. Essas startups atuam em 24 categorias distintas, refletindo a diversidade de soluções que vêm sendo desenvolvidas para atender às demandas do setor.

Entre as categorias com maior representatividade estão gestão e controle de obra (12,7%), cotação e compra de insumos (7,5%), construção modular (6%) e soluções de realidade virtual e interatividade (5,6%). Também se destacam áreas como projetos, redução e destinação de resíduos, conteúdo e educação, drones, smart building, reformas, orçamento de obras e inspeção e monitoramento, cada uma com participação relevante no ecossistema.

Perfil de fundação e áreas de atuação

O levantamento aponta que aproximadamente 20% das construtechs ativas foram fundadas entre 2020 e novembro de 2025, evidenciando um movimento consistente de criação de novos negócios nos últimos anos. Entre essas startups mais recentes, as principais frentes de atuação são cotação e compra de insumos (16%), construção modular (12%), gestão e controle de obra (8%), realidade virtual e interatividade (8%) e conteúdo e educação (6%).

Para Daniel Grossi, cofundador da Liga Ventures, o cenário indica um setor que avança em ritmo moderado, mas com forte potencial de transformação. Segundo ele, a construção civil atravessa um processo inevitável de modernização, impulsionado pela industrialização, digitalização e pela adoção de novas tecnologias voltadas ao aumento da produtividade. O ritmo mais lento de inovação, avalia Grossi, cria oportunidades para startups capazes de resolver dores reais do mercado, como eficiência de obra, previsibilidade de custos e redução de desperdícios.

Uso de inteligência artificial ganha espaço

O estudo também identificou 29 construtechs que já utilizam inteligência artificial em suas soluções. As aplicações incluem automação de projetos de arquitetura e engenharia, gestão inteligente de obras e canteiros, monitoramento por meio de visão computacional e gêmeos digitais, além de sistemas voltados à previsão, orçamentação e controle automatizado de custos.

Outras frentes de uso da IA envolvem atendimento ao cliente, vendas, pós-obra, segurança do trabalho e manutenção preditiva de ativos e equipamentos, indicando que a tecnologia começa a se consolidar como ferramenta estratégica para ganhos de eficiência e redução de riscos.

Distribuição geográfica e maturidade do ecossistema

Em termos regionais, São Paulo concentra a maior parcela das construtechs ativas, com 42% do total mapeado. Na sequência aparecem Minas Gerais e Santa Catarina, ambos com 12%, seguidos pelo Paraná (10%), Rio de Janeiro (5%) e Rio Grande do Sul (4%). Distrito Federal, Pernambuco, Goiás e Bahia completam o ranking, com participações menores.

A análise de maturidade mostra que 37% das startups estão em estágio estável, enquanto 30% são consideradas emergentes. Já 22% se enquadram como nascentes e 11% foram classificadas como disruptoras, indicando um ecossistema heterogêneo, com diferentes níveis de consolidação e impacto no mercado.

Tecnologias e público-alvo

Entre as tecnologias mais aplicadas pelas construtechs destacam-se soluções de marketplace (18%), dashboards (16%), data analytics (16%), APIs (14%) e cloud computing (12%). O estudo revela ainda que a grande maioria das startups, cerca de 81%, tem como foco o mercado B2B, atendendo construtoras, incorporadoras, indústrias e demais agentes da cadeia da construção civil.

O levantamento foi desenvolvido a partir de dados da ferramenta Startup Scanner, plataforma criada pela Liga Ventures para monitorar e analisar startups do Brasil e da América Latina. A solução permite que grandes empresas, pesquisadores e empreendedores acompanhem as movimentações do mercado e identifiquem oportunidades de negócios alinhadas às suas estratégias.

Fonte: Redação

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