A modernização da infraestrutura está mudando radicalmente o destino das estradas antigas. Em vez de simplesmente descartar o pavimento deteriorado, o setor rodoviário tem apostado alto na tecnologia RAP (Reclaimed Asphalt Pavement), um processo que transforma o asfalto fresado em matéria-prima nova e pronta para uso.
O segredo desse ciclo contínuo de reaproveitamento reside na própria física do material. Como o asfalto endurece devido à queda de temperatura, e não por reações químicas irreversíveis, ele pode ser derretido e reaplicado inúmeras vezes sem perder suas características aglutinantes.
Essa versatilidade o coloca no topo do ranking de sustentabilidade, superando materiais tradicionalmente recicláveis, como vidro e papel. Apenas nos Estados Unidos, os dados de 2024 mostram que mais de 101 milhões de toneladas foram reincorporadas a novas misturas asfálticas, alcançando uma taxa de reaproveitamento de 99%.
Além do próprio asfalto reciclado, a pavimentação moderna também tem integrado resíduos plásticos e pneus velhos para criar superfícies ainda mais resistentes. Contudo, especialistas alertam que o sucesso dessa mistura depende de um planejamento rigoroso, exigindo avaliações precisas sobre o volume de tráfego, as condições da base e a drenagem do local.
Para Bernardo Oliveira, gestor da unidade De Amorim Construtora, essa evolução tecnológica altera a percepção da sociedade. As obras de recapeamento deixam de ser vistas como mero transtorno urbano e passam a representar um ciclo inteligente de economia circular, poupando recursos naturais e garantindo vias seguras e de alta qualidade.
