A queda de dois dígitos na receita da indústria de máquinas agrícolas em 2026 já é dada como certa. A dúvida agora é o tamanho do tombo. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) trabalhava com uma projeção de recuo de 20% no ano, mas o acumulado até agosto veio pior: o faturamento do segmento somou R$ 36,3 bilhões, queda de 22,4% sobre o mesmo período de 2025.
Só em agosto, a receita foi de R$ 4,8 bilhões, 22,8% menos do que um ano antes.
O pior já está no preço
Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da Abimaq, avalia que o quadro não deve se deteriorar muito mais. “Pode ser que termine com menos 22%, algum número parecido com isso. Mas não deve piorar muito mais do que já está, porque está muito ruim”, afirmou à coluna.
O que segura as vendas
Segundo o dirigente, o principal fator é a baixa rentabilidade das lavouras de soja e milho. Pesam ainda a inadimplência, a maior restrição de crédito nos bancos e a incerteza climática. A retomada, se as condições de mercado ajudarem, deve ficar para o segundo semestre do próximo ano.
Avanço chinês nas importações
A indústria observa também a presença crescente da China nas compras externas. No acumulado do ano, o país responde por 21% das importações de máquinas e equipamentos agrícolas, atrás dos Estados Unidos, com 30%.
Considerando todas as máquinas, da infraestrutura ao agronegócio, a China já ultrapassou os americanos: são 36% das importações brasileiras, contra 14,6% dos EUA. “A presença chinesa, realmente, tem sido mais agressiva no mercado brasileiro”, reconheceu Estevão.


