Fortaleza – CE | quinta-feira 15 de janeiro de 2026 / 05:55

Obras em ritmo acelerado impulsionam locação de máquinas e setor cresce perto de 7% em 2025

Mineração, construção civil e energia solar sustentam avanço, apesar dos juros elevados e do crédito mais caro

O volume expressivo de obras e empreendimentos em Minas Gerais impulsionou o mercado de locação de máquinas ao longo de 2025. A expectativa é de que o setor encerre o ano com crescimento próximo de 7% em relação a 2024, quando o faturamento alcançou R$ 13,6 bilhões. O desempenho ficou dentro da faixa projetada pelas entidades do setor, que variava entre 7% e 10%.

Segundo o Sindicato das Empresas Locadoras de Equipamentos, Máquinas, Ferramentas e Serviços Afins de Minas Gerais (Sindileq/MG), o avanço poderia ter sido ainda maior não fosse o patamar elevado da taxa básica de juros. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que fixou a Selic em 15% ao ano em junho, acabou freando parte dos investimentos, especialmente na construção civil.

Para o gerente executivo do Sindileq/MG, Allan Rodrigues, 2025 marcou um ciclo de crescimento consistente, ainda que distante de períodos de forte expansão. “Foi um ano de expansão resiliente, sustentada por segmentos específicos”, avalia. Ele destaca que mineração e construção civil respondem por cerca de 60% a 70% da demanda por locação no Estado, com participação relevante também do setor de energia solar.

Entre os principais vetores desse desempenho estão os projetos de descaracterização de barragens, voltados à redução de riscos em estruturas de mineração, além da abertura de novas frentes de exploração mineral. Os empreendimentos de energia solar no Norte de Minas também tiveram papel decisivo, especialmente em regiões como Janaúba e o Vale do Jequitinhonha, que concentram algumas das maiores usinas solares do país.

No cenário nacional, a estimativa é de que o mercado de locação de máquinas alcance um faturamento anual próximo de R$ 70 bilhões, patamar semelhante ao registrado em 2025.

Rodrigues ressalta que o custo elevado do crédito foi um dos principais fatores limitantes do crescimento. A taxa de juros mais alta impactou diretamente a construção civil, um dos maiores clientes das locadoras. “Mesmo com os juros segurando parte dos lançamentos imobiliários, as obras de infraestrutura urbana e logística ajudaram a equilibrar o mercado”, explica.

Outros desafios enfrentados pelo setor ao longo do ano foram a dificuldade de renovar a frota, devido ao encarecimento do financiamento, e a escassez de mão de obra qualificada para operar equipamentos mais modernos. A incorporação de novas tecnologias ganhou força em 2025, com maior presença de máquinas de menor emissão de carbono, alinhadas às práticas ESG, além do uso crescente de sistemas de telemetria.

Perspectivas para 2026

O setor projeta um cenário mais favorável para 2026, especialmente a partir do segundo semestre. A expectativa de redução da taxa Selic, a pressão por metas de descarbonização, o aumento dos investimentos em tecnologias limpas e o calendário eleitoral tendem a impulsionar a demanda por locação de máquinas.

“Em anos eleitorais, historicamente, há uma aceleração na entrega de obras públicas e de infraestrutura, tanto em nível estadual quanto federal. Isso gera uma demanda imediata por equipamentos”, afirma Rodrigues.

Com a perspectiva de queda dos juros, o setor também espera maior facilidade para o financiamento de novos equipamentos, inclusive máquinas pesadas, por meio de linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que pode reforçar ainda mais o ritmo de crescimento no próximo ano.

Fonte: Redação

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