Fortaleza – CE | quinta-feira 15 de janeiro de 2026 / 04:37

Produção de caminhões acumula quatro meses de queda e pressiona indústria automotiva

Juros elevados freiam demanda, puxam retração nos modelos pesados e mantêm mercado estagnado, apesar de safra forte e PIB positivo.

O mercado brasileiro de caminhões encerrou novembro com nova retração na produção, aprofundando um ciclo negativo que já dura quatro meses consecutivos. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram produzidas 9.601 unidades no mês, recuo de 5,5% em relação a outubro, quando saíram das fábricas 10.160 veículos.

Na comparação com novembro de 2024, quando a produção havia alcançado 13.170 unidades, a queda foi ainda mais expressiva, de 27,1%. Com esse desempenho, o setor acumula retração de 9,3% na produção entre janeiro e novembro de 2025, totalizando 118.393 caminhões, ante 130.573 unidades fabricadas no mesmo período do ano passado.

Segmento de pesados concentra maior impacto

De acordo com Igor Calvet, presidente da Anfavea, o principal fator por trás da retração está no segmento de caminhões pesados, responsável por cerca de 45% do mercado. Até novembro, a produção desse tipo de veículo caiu 21,5%, impactando fortemente o resultado agregado do setor.

“Precisamos destravar o mercado de caminhões no Brasil. Vamos ter um ano com PIB positivo e uma safra muito boa, mas os juros asfixiam e impedem o avanço do setor”, afirmou Calvet.

O executivo destacou que as montadoras já adotaram medidas de flexibilização do trabalho para lidar com o cenário adverso, mas defendeu ações adicionais por parte do poder público. Segundo ele, o segmento foi penalizado pela alta do IOF e pela falta de linhas de crédito mais atrativas para o consumidor final.

“É fundamental um programa de renovação de frota e condições de financiamento mais acessíveis. Precisamos de algum alento ainda este ano para que 2026 seja melhor, especialmente para os caminhões pesados”, completou.

Produção por categoria

Do total produzido entre janeiro e novembro de 2025, 58.592 unidades correspondem a caminhões pesados, número 21,5% inferior ao registrado no mesmo período de 2024. Os modelos semipesados somaram 37.336 unidades, enquanto os leves alcançaram 14.874 veículos.

Já os caminhões médios totalizaram 6.566 unidades produzidas no acumulado do ano, e os semileves ficaram em 1.025 unidades, mantendo participação reduzida no mercado.

Emplacamentos também recuam

As vendas de caminhões acompanharam o movimento de desaceleração. Em novembro, foram emplacadas 8.921 unidades, queda de 16,3% em relação a outubro e retração de 12,3% frente a novembro de 2024. No acumulado do ano, os emplacamentos somaram 103.651 unidades, recuo de 8,7% ante os 113.485 veículos vendidos entre janeiro e novembro do ano passado.

Entre os segmentos, os caminhões pesados lideraram as perdas, com queda de 20% nas vendas e 45.472 unidades comercializadas. Os modelos semileves tiveram retração de 24,5%, com 5.019 unidades, embora representem cerca de 5% do mercado total.

Os caminhões leves registraram vendas de 8.007 unidades, queda de 13,8%. Na contramão, os semipesados avançaram 4,9%, com 33.444 unidades vendidas, enquanto os médios tiveram crescimento expressivo de 32,5%, alcançando 11.709 veículos comercializados no período.

Ranking das montadoras

No ranking de vendas acumuladas até novembro de 2025, a Volkswagen Caminhões e Ônibus manteve a liderança, com 27.400 unidades vendidas, redução de 5,4% frente ao mesmo período de 2024. A Mercedes-Benz ficou em segundo lugar, com 25.589 veículos comercializados, alta de 10,7% na comparação anual.

A Volvo ocupou a terceira posição, com 18.286 caminhões vendidos, queda de 11,8%, seguida pela Scania, em quarto lugar, com 12.075 unidades, retração de 30,3%. A Iveco aparece em quinto, com 7.735 veículos vendidos, leve queda de 2,5%, enquanto a DAF ficou na sexta posição, com 6.922 unidades, redução de 20,3%.

Exportações sustentam parte do setor

As exportações de caminhões recuaram 9,1% em novembro frente a outubro, somando 2.132 unidades. No entanto, na comparação com novembro de 2024, houve crescimento de 8,8%, quando foram exportados 1.960 veículos.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o desempenho externo foi positivo. As exportações totalizaram 26.116 caminhões, avanço de 65% em relação às 15.824 unidades enviadas ao exterior no mesmo período do ano anterior, com crescimento em todos os segmentos.

Os modelos pesados lideraram as exportações, com 16.032 unidades, alta de 75,5%. Já os semipesados somaram 6.247 veículos, os leves 2.424, os médios 979 e os semileves 434 unidades.

No formato CKD (veículos desmontados), foram exportadas 6.728 unidades até novembro, queda de 8,05% frente às 7.318 unidades registradas no mesmo intervalo de 2024.

Perspectivas para 2026

Calvet informou que as projeções completas para o setor automotivo em 2026 serão divulgadas em janeiro. Ele lembrou que o próximo ano será marcado por eleições no Brasil, fator que pode trazer instabilidade política, mas destacou um possível alívio no custo do crédito.

“Há indicativos de que as taxas de juros comecem a recuar no primeiro trimestre. O que posso dizer hoje é que 2026 tende a ser muito semelhante a 2025”, concluiu o presidente da Anfavea.

Fonte: Redação

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