O bom momento do financiamento habitacional no Brasil vem sendo a pedra angular para o avanço do setor de imóveis em 2026. Em um cenário econômico ainda marcado por incertezas estruturais, o forte desempenho de linhas de crédito como o Minha Casa Minha Vida e o uso de recursos do FGTS têm assegurado o crescimento do mercado imobiliário nacional no ano vigente.
De acordo com especialistas reunidos recentemente no Construsummit, em Florianópolis, a expectativa é de recorde. A Caixa Econômica Federal projeta que as concessões devem superar a marca inédita de R$ 250 bilhões até o encerramento do exercício. O primeiro trimestre já havia demonstrado fôlego, com uma alta de 30% no volume negociado em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Programas sociais como porto seguro
O foco em moradias populares consolida-se mais uma vez como a grande âncora do segmento. Representantes da Caixa ressaltam que o Minha Casa Minha Vida não sofre diretamente com as flutuações da Selic, possuindo recursos carimbados que garantem estabilidade para o setor construtivo. A inclusão da Faixa 4, voltada à classe média, bem como novas fontes como o Fundo Social do pré-sal, diversificaram as possibilidades e aqueceram a demanda.
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) calcula um avanço expressivo de 28% no volume total de crédito para este ano, sustentado principalmente pela expansão de 35% na parcela atrelada ao FGTS e de 15% via recursos da caderneta de poupança (SBPE).
Desafios no horizonte e a busca por novo funding
Apesar da euforia de curto prazo, o planejamento para 2027 levanta preocupações. A alta da taxa básica de juros e o encarecimento no custo dos insumos, apontados por entidades como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a ABRAMAT, ameaçam o ritmo das futuras obras. Atualmente, a projeção de expansão na construção civil propriamente dita orbita a tímida marca de 1%.
Para contornar o engessamento provocado pela dependência quase exclusiva do FGTS e da Poupança, as lideranças defendem a massificação de instrumentos alternativos. Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) ganham protagonismo na estratégia para elevar a participação do financiamento habitacional, que hoje representa apenas cerca de 11% do PIB brasileiro, índice inferior ao de diversas economias equivalentes.
