De um lado, recorde de volume; de outro, um alerta sobre a origem do dinheiro. O crédito imobiliário com recursos da poupança somou R$ 16,97 bilhões em agosto, alta de 46,6% sobre o mesmo mês de 2025 e o terceiro maior valor para o período em 25 anos, segundo a Abecip. A conta inclui financiamentos para compra e construção.
Projeção revisada para cima
De janeiro a agosto, os financiamentos totalizaram R$ 132,5 bilhões, expansão de 37,5% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Com esses números, a entidade elevou de 15% para 18% a estimativa de crescimento anual dos financiamentos concedidos via poupança.
O alerta da Abrainc
A Abrainc, porém, chama atenção para o uso de poupança e FGTS na quitação de dívidas, o que altera o fluxo de capital que abastece as linhas voltadas à baixa renda. Entre 2020 e 2025, as operações de alienação ligadas ao FGTS movimentaram R$ 236 bilhões.
Até outubro de 2025, o fundo tinha 42 milhões de trabalhadores ativos, dos quais 21,5 milhões (51%) haviam optado pelo saque-aniversário. Cerca de 70% desse grupo antecipou o saldo com bancos e instituições autorizadas.
Efeito sobre o financiamento
Para a economista e professora do Insper Juliana Inhasz, ouvida no programa CNN Morning Call, o redirecionamento dos recursos do FGTS encarece as linhas de financiamento, reduz a oferta de crédito e desacelera o lançamento de novas unidades.


