Fortaleza – CE | terça-feira 8 de setembro de 2026 / 15:13

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Crédito imobiliário carrega o peso da Selic

Para imóveis fora do Minha Casa Minha Vida, a combinação de poupança menor e funding mais caro tende a manter taxas próximas de 12% ao ano.

O comprador de imóveis de médio e alto padrão deve continuar convivendo com financiamentos mais caros. A expectativa de queda mais firme nas taxas do crédito habitacional perdeu força diante de uma Selic ainda elevada e de um mercado financeiro menos otimista para 2027.

A avaliação da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) é que os financiamentos fora do Minha Casa Minha Vida, especialmente para imóveis acima de R$ 600 mil, podem seguir próximos ao teto de 12% ao ano.

Funding virou peça central

O problema não está apenas na taxa básica de juros. O financiamento imobiliário de maior valor depende do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), e a poupança deixou de oferecer a mesma folga de recursos ao setor.

Com saques superando depósitos, os bancos passaram a combinar diferentes fontes de dinheiro para emprestar, como caderneta, Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e outros instrumentos. Essa mistura ajuda a manter a oferta, mas encarece a ponta final para o consumidor.

Segundo a Abecip, mesmo instrumentos mais competitivos que a Selic, como a LCI, ainda custam mais do que a poupança tradicional. Por isso, o financiamento tende a ficar colado ao patamar de 12% ao ano.

Entrada maior pode virar regra prática

Para as famílias, o efeito mais visível deve aparecer na composição da compra. Bancos podem exigir maior entrada e financiar uma fatia menor do imóvel, reduzindo o chamado LTV, indicador que mede o percentual do preço coberto pelo crédito.

Embora existam modalidades que financiem até 90% do valor, a prática mais comum para muitos compradores fica entre 60% e 70%. Em um cenário de juros altos, essa distância pode pesar mais no planejamento de renda média e alta.

Minha Casa Minha Vida segue em outro ritmo

O mercado, no entanto, não está parado. A Abecip avalia que 2026 ainda mostra resiliência, puxada sobretudo pelo Minha Casa Minha Vida e por construtoras especializadas no programa. A entidade começou o ano projetando alta de 15% nas operações com recursos da poupança e de 35% no crédito com FGTS.

As contratações com recursos da poupança também tiveram melhora em março, mês em que somaram R$ 12,6 bilhões. A leitura é que fevereiro foi prejudicado pelo calendário mais curto, enquanto março trouxe uma base operacional mais normal.

Custos de construção adicionam pressão

Além do crédito, os custos de obra entram no radar. O avanço do INCC e o encarecimento da construção já começam a afetar alguns segmentos. Em São Paulo, por exemplo, lançamentos recuaram 5% no primeiro trimestre de 2026 ante igual período do ano anterior, segundo dados citados pelo Secovi.

Em 2025, o crédito imobiliário total cresceu 3% e alcançou R$ 324 bilhões. A parcela de imóveis mais caros, financiada pelo SBPE, caminhou na direção contrária: caiu 13,4% e somou R$ 156,3 bilhões.

O resultado é um mercado dividido. A habitação popular mantém fôlego, enquanto o financiamento de imóveis fora dos programas subsidiados depende de juros longos menores, recomposição da poupança e custos de obra menos pressionados.

Fonte: Redação
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