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Entregas de imóveis crescem 13,7% em 2025 mesmo com crédito mais caro

Dados Abrainc/Fipe mostram avanço na conclusão de obras e alta de 30,1% nos lançamentos, enquanto Minha Casa Minha Vida sustenta vendas e segmento de luxo bate recordes em São Paulo

O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 entregando acima do esperado, apesar da pressão exercida por juros elevados ao longo de todo o ano. O volume de imóveis concluídos cresceu 13,7% em relação a 2024, segundo dados dos indicadores Abrainc/Fipe. O avanço reflete a maturação de projetos iniciados em ciclos anteriores e a capacidade das incorporadoras de manter obras ativas mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo.

Lançamentos disparam 30,1% e sustentam pipeline para os próximos anos

“O crescimento de 13,7% nas entregas mostra que o setor chegou a 2025 com um volume relevante de obras em andamento”, afirmou Luiz França, presidente da Abrainc. Segundo ele, o forte avanço dos lançamentos no período — alta de 30,1% — ajuda a sustentar um pipeline relevante de projetos para os próximos anos. Ainda assim, o crédito mais caro começa a afetar decisões na ponta, tanto das empresas quanto das famílias.

Segmento de médio e alto padrão desacelera com juros elevados

A leitura de 2025 revela uma divisão clara entre segmentos. O mercado de médio e alto padrão começou a perder fôlego. Segundo o Indicador de Confiança do Setor Imobiliário Residencial, da Abrainc em parceria com a Deloitte, as vendas nesse segmento caíram 21% no quarto trimestre, enquanto a procura recuou 23%.

“O impacto do crédito mais caro já é percebido, tanto na maior seletividade dos lançamentos quanto na decisão das famílias, que ficam mais cautelosas diante do custo de financiamento”, explicou França. O estoque atual desse segmento levaria cerca de 14 meses para ser consumido, patamar considerado saudável, mas a retomada depende da queda dos juros.

Minha Casa Minha Vida segue na direção contrária e sustenta o setor

Na contramão, o Minha Casa Minha Vida manteve trajetória ascendente, com alta de 0,7% nas vendas e de 2,5% na procura no mesmo período. A sustentação vem de fatores estruturais: acesso ao crédito via FGTS, desemprego na mínima histórica de 5,6% e aumento da intenção de compra, que atingiu 50% segundo dados da Brain.

Entre executivos que atuam no programa, 97% pretendem lançar novos empreendimentos nos próximos 12 meses e 94% planejam adquirir terrenos. “O Minha Casa, Minha Vida deve ser visto como um programa de Estado, voltado a enfrentar um déficit habitacional de cerca de 6 milhões de moradias”, destacou o presidente da Abrainc.

Mercado de luxo bate recordes em São Paulo

O segmento de luxo segue em trajetória própria. Em São Paulo, o VGV atingiu R$ 29 bilhões em 2025, alta de 61%, enquanto os lançamentos somaram R$ 30 bilhões — avanço de 102%. Em bairros como Vila Nova Conceição, Moema e Jardins, o preço médio superou R$ 40 mil por metro quadrado.

Incorporadoras mantêm aquisição de terrenos mirando novos ciclos

Apesar do cenário restritivo, as incorporadoras seguem ativas na compra de terrenos. O setor opera atualmente com cerca de 11,9 meses de oferta — patamar equilibrado que permite continuidade dos investimentos com disciplina. “O mercado imobiliário não responde ao trimestre. A compra de terrenos está ligada à formação de pipeline para os próximos ciclos”, explicou França.

Queda dos juros é apontada como fator central para nova expansão

O setor entra em 2026 com demanda presente, produção elevada e pipeline em formação. O principal fator de virada, contudo, segue sendo a redução consistente das taxas de juros. “A redução consistente das taxas é central, porque melhora o acesso ao crédito e reduz o custo de capital”, afirmou França.

Estabilidade regulatória, previsibilidade institucional e condições adequadas de mão de obra também entram na equação. O retrato atual, segundo a Abrainc, mostra demanda, capacidade produtiva e interesse das empresas — faltando um ambiente mais previsível para desencadear um novo ciclo de expansão mais robusto.

Fonte: Redação
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