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Juros elevados pressionam fundos imobiliários, mas cenário abre oportunidades para investidores

Com a Selic em 15% ao ano, mercado aguarda decisão do Copom enquanto fundos são negociados com desconto e incorporadoras ajustam estratégias

A manutenção da taxa Selic em patamares elevados segue pressionando o mercado imobiliário e os fundos imobiliários no Brasil. A combinação de crédito mais caro e menor atratividade frente à renda fixa afeta tanto investidores quanto consumidores, em um cenário que deve reagir mesmo diante de pequenas reduções nos juros.

Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anuncia sua decisão sobre a taxa básica de juros, atualmente fixada em 15% ao ano. A expectativa dos agentes do mercado financeiro é de um corte de 0,25 ponto percentual.

Impacto direto nos fundos imobiliários

Com os juros em patamares elevados, investidores migram para a renda fixa em busca de previsibilidade e retorno mais imediato. Esse movimento gera pressão de venda na bolsa de valores e queda no valor das cotas dos fundos imobiliários, entre outros ativos de renda variável.

A desvalorização observada reflete o ajuste das expectativas de retorno frente ao novo patamar de juros, reduzindo o interesse por ativos imobiliários listados em bolsa. Em outras palavras, quando a renda fixa oferece rentabilidade expressiva com menor risco, o capital tende a se deslocar dos fundos imobiliários.

Crédito imobiliário encarecido afeta a demanda

O efeito dos juros elevados também atinge diretamente o comprador final de imóveis. Com o crédito mais caro, o financiamento imobiliário pesa mais no orçamento das famílias e leva potenciais compradores a adiar suas decisões de aquisição.

Para sustentar as vendas em um ambiente adverso, incorporadoras têm ampliado estratégias próprias de financiamento. Entre as alternativas adotadas estão planos de pagamento mais longos, com taxas que chegam a 12% ao ano, oferecidos diretamente pelas construtoras.

Oportunidades em meio à pressão

Apesar do cenário desafiador, o momento atual abre espaço para investidores com capital disponível. Fundos imobiliários estão sendo negociados com desconto em relação ao valor patrimonial dos ativos que compõem suas carteiras, o que pode representar oportunidade de entrada a preços atrativos.

Além disso, incorporadoras encontram melhores condições para aquisição de terrenos, aproveitando preços mais favoráveis em um mercado com menor competição.

“É o momento oportuno para comprar”, afirma Danny Gampel, head de crédito da Cy.Capital, gestora de fundos imobiliários da Cyrela, em entrevista à Veja.

Na avaliação do executivo, mesmo uma queda pequena da Selic pode reativar parte da demanda por imóveis. O movimento tende a antecipar a recuperação do mercado imobiliário antes mesmo de cortes mais expressivos nos juros, à medida que investidores se posicionam para capturar a valorização futura dos ativos.

Fonte: Redação
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