O mercado imobiliário brasileiro prova mais uma vez que possui bolhas de extrema resiliência. Dados consolidados pelas principais associações do setor indicam que o nicho de alto e altíssimo padrão movimentou a estrondosa cifra de R$ 30 bilhões recentemente, descolando-se das oscilações de crédito que costumam frear o restante da economia.
O fenômeno é impulsionado por um perfil de comprador que não depende das linhas de financiamento tradicionais afetadas pela Selic alta. Pagamentos à vista ou permutas envolvendo outros ativos de luxo garantem a liquidez das incorporadoras. Para esse cliente, o imóvel não é apenas moradia, mas uma estratégia segura de proteção patrimonial contra a inflação.
O novo conceito de luxo
A injeção bilionária nesse segmento está remodelando as pranchetas dos arquitetos. O conceito de luxo foi redefinido: metragens gigantescas deram espaço à hiper personalização, curadoria artística nas áreas comuns e serviços ao estilo “concierge” de hotéis cinco estrelas. Tecnologias de biometria, automação residencial profunda e garagens adaptadas para supercarros elétricos viraram o padrão da indústria.
Incorporadoras paulistas, cariocas e do litoral catarinense lideram esse boom, com muitos empreendimentos esgotados meses antes do início das fundações. Especialistas afirmam que, enquanto a demanda por “portos seguros” de capital e exclusividade persistir, o nicho de altíssimo padrão continuará sustentando as margens de lucro bilionárias do setor da construção.
