O mercado de escritórios corporativos começa a apresentar sinais mais consistentes de recuperação, após anos de incerteza e esvaziamento provocados pela pandemia. Segundo Júlia Botelho, economista e CEO da Match Point, a taxa de vacância, que chegou a patamares entre 25% e 30% nos momentos mais críticos, encerrou 2025 próxima de 16%. Embora ainda esteja acima do ponto de equilíbrio — estimado em torno de 10% —, a trajetória de queda é clara e indica que a demanda, mesmo seletiva, volta a ganhar corpo.
Faria Lima opera com apenas 7% de vacância enquanto áreas periféricas enfrentam até 50%
A retomada, no entanto, está longe de ser uniforme. Regiões consideradas “prime” seguem puxando a fila da ocupação. A Faria Lima opera com apenas 7% de vacância, enquanto Pinheiros registra taxas em torno de 12%. Já áreas mais afastadas dos grandes eixos corporativos e com menor oferta de transporte público continuam enfrentando dificuldades significativas, com índices de desocupação que variam entre 40% e 50%, como em Interlagos, Panambi e Santo Amaro.
O recado do mercado é direto: localização voltou a ser praticamente um ativo financeiro para o segmento corporativo.
Pandemia mudou a lógica de ocupação dos espaços corporativos
A pandemia transformou a estratégia das empresas em relação aos seus espaços de trabalho. Antes, a palavra de ordem era adensar — colocar mais pessoas em menos espaço. Agora, a estratégia é outra: empresas buscam escritórios mais eficientes, bem localizados e que ofereçam qualidade de vida para incentivar o retorno ao trabalho presencial.
Essa mudança de paradigma beneficia edifícios modernos, com boa infraestrutura e conectividade, enquanto prédios mais antigos e em localizações secundárias tendem a permanecer com taxas de vacância elevadas por mais tempo.
