Quase uma em cada cinco casas brasileiras tem um único morador. Segundo a Pnad Contínua, do IBGE, os domicílios unipessoais chegaram a 19,7% do total em 2025, a maior fatia da série histórica. O contingente saltou de 7,5 milhões de pessoas em 2012 para 15,6 milhões, alta de 109,8%.
O movimento já entra no radar do mercado imobiliário, que acompanha essas mudanças para entender como elas influenciam a escolha de quem compra.
Quem mora sozinho não tem um perfil único
Para Rafael Batista, diretor de incorporação da Perplan, viver só não define um comprador específico. Idade, momento de vida, rotina e prioridades pesam no tipo de imóvel buscado e no uso dos espaços. Entender essa diversidade, diz ele, ajuda a incorporadora a acompanhar as novas expectativas do consumidor.
Rotina pesa mais que a contagem de moradores
Trabalhar em casa, ter animais de estimação, receber familiares e amigos ou passar muito tempo fora são hábitos que mudam o que cada pessoa valoriza num imóvel.
Artur Cury Féres mora sozinho há sete anos e conta que a busca por privacidade motivou a decisão. Com o tempo, suas prioridades mudaram: na época de estudante, a proximidade da universidade era essencial; depois, ganharam peso a localização em um bom bairro e a segurança. “A casa também passou a ser, de fato, o meu espaço”, relata, citando escolhas que fogem do convencional.
O que entra na conta do comprador
O número de ocupantes deixa de ser, sozinho, referência para definir o produto. Planta, áreas comuns, localização, segurança e serviços passam a ser avaliados em conjunto com hábitos e planos de uso.
Gustavo Pereira, gestor executivo comercial da Perplan Incorporação, lembra que o mercado costumou associar composição familiar e produto de forma direta. Hoje, afirma, é preciso considerar outras variáveis: quem mora sozinho pode querer mais espaço, receber com frequência, trabalhar em casa ou ver o imóvel como decisão de longo prazo. O número de moradores, conclui, é importante, mas não conta sozinho a história do comprador.


