As elevadas taxas de juros no Brasil continuam sendo o principal obstáculo para o acesso ao crédito na indústria. É o que revela a mais recente Sondagem Especial realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborada a partir de consulta direta a 1.050 estabelecimentos industriais, sendo 406 de pequeno porte, 377 médios e 267 grandes.
O levantamento aponta que o aperto monetário não apenas inibe a busca por financiamentos como tem elevado o índice de propostas recusadas pelo sistema financeiro, sobretudo entre fabricantes de menor porte.
Os principais entraves identificados
De acordo com o levantamento da entidade fabril, as barreiras financeiras dividem-se conforme o prazo das operações:
- Juros elevados: apontados por 76% das indústrias nas linhas de curto e médio prazo, e por 69% nas operações de longo prazo;
- Exigência de garantias reais: citada por 33,4% no curto prazo e 31,5% no longo prazo;
- Carência insuficiente: lembrada por 18,9% das indústrias nos financiamentos longos;
- Burocracia excessiva: mencionada por 13,6% das empresas em operações de menor maturidade.
Diante desse panorama, quase a metade das indústrias consultadas (49,9%) optou por sequer buscar crédito de curto e médio prazo. Nas linhas de longo prazo, o percentual de empresas que não procurou recursos chegou a 54%.
Frustração maior entre pequenas e médias
Entre as companhias que efetivamente foram ao mercado em busca de crédito, a taxa de frustração aumentou na comparação com 2025. No segmento de curto e médio prazo, o insucesso subiu de 20% para 24,7%. Nas operações de longo prazo, a taxa de recusa avançou de 33% para 37,2%.
A vulnerabilidade é nitidamente maior nos pequenos negócios: no crédito de longo prazo, 48,2% das pequenas empresas e 48,1% das médias não conseguiram obter os recursos pretendidos. Já entre as grandes companhias fabris, o percentual de insucesso foi bem inferior, fixando-se em 29,9%.
Longo prazo usado para despesas do dia a dia
Um dos pontos mais chamativos do estudo é a distorção no destino dos recursos. Das indústrias que obtiveram crédito de longo prazo, 28,7% destinaram o montante ao capital de giro. Essa finalidade superou a compra de máquinas e equipamentos (23,6%) e a construção ou ampliação de instalações fabris (11,6%).
A CNI ressalta que operações de longo prazo deveriam tipicamente fomentar investimentos produtivos, e não cobrir contas operacionais, folha de pagamento ou compra de matérias-primas.
Demandas do setor produtivo
Para amenizar o quadro, 38,4% das indústrias defendem a redução dos custos tributários e administrativos como a medida prioritária para ampliar o acesso ao crédito na indústria. Outras medidas requisitadas incluem a expansão de linhas públicas de financiamento e a flexibilização das exigências documentais impostas pelas instituições bancárias.


