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Indústria acumula 20 meses de pessimismo apesar de alta em agosto

Levantamento da CNI mostra que, apesar do avanço de 1,9 ponto no índice de confiança, empresários mantêm avaliação negativa sobre a economia e voltam a ter otimismo apenas em relação aos próprios negócios

A marca dos 50 pontos continua sendo uma barreira que a confiança da indústria brasileira não consegue ultrapassar. Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelam que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu 1,9 ponto em agosto, alcançando 46,3 pontos — insuficiente, porém, para romper o limiar que separa otimismo de pessimismo.

Duas décadas de meses sem confiança plena

O cenário atual configura um recorde negativo de persistência. São vinte meses ininterruptos com o ICEI estacionado abaixo dos 50 pontos, número que também fica distante da média histórica de 53,3 pontos da série. A sequência reflete um ambiente de incertezas macroeconômicas que vem corroendo gradualmente o ânimo dos dirigentes industriais.

O que melhorou — e o que continua preocupando

Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, os componentes do ICEI têm oscilado nos últimos meses sem consolidar uma tendência clara de recuperação. O Índice de Condições Atuais subiu 1,1 ponto, para 42,7 pontos. O resultado indica que a percepção sobre a conjuntura econômica e sobre a saúde das próprias empresas segue pior do que o observado seis meses antes, embora a intensidade dessa avaliação negativa tenha diminuído.

A leitura sobre a economia nacional foi a que mais avançou dentro das condições atuais, com alta de 1,9 ponto, chegando a 36,6 pontos. Já o sentimento a respeito das próprias empresas cresceu 0,6 ponto, para 45,7 pontos.

Expectativas ensaiam recuperação tímida

Na parcela do índice que mede as projeções para o semestre seguinte, o avanço foi mais expressivo. O Índice de Expectativas cresceu 2,3 pontos e atingiu 48,1 pontos, recuperando parte da queda de 3,1 pontos registrada em julho. O pessimismo permanece, mas perdeu força em relação ao mês anterior.

Um ponto de destaque é a perspectiva dos empresários sobre seus próprios negócios. Esse subíndice avançou 2,2 pontos e alcançou 52,3 pontos, cruzando a linha dos 50 pela primeira vez após semanas de retração. Em outras palavras, os industriais voltaram a apostar na melhora de suas operações individuais, mesmo sem enxergar sinais animadores na economia como um todo.

As expectativas para a economia brasileira também subiram 2,5 pontos, mas pararam em 39,7 pontos — patamar que traduz preocupação significativa com o rumo da política econômica nos próximos meses.

Fonte: Redação
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