Saiba como evitar problemas durante a aplicação de cimento queimado

Amplamente utilizado na construção civil, o cimento queimado é uma solução simples e de baixo custo. Com uma estética inconfundível, pode ser aplicado nos mais variados ambientes para um efeito moderno e despojado. Apesar de ser de aplicação fácil, não raro o produto pode apresentar trincas, fissuras e manchas. Veja, a seguir, como evitar estes e outros problemas comuns.

TRINCAS E FISSURAS

O aparecimento de trincas e fissuras nos revestimentos de cimento queimado é algo comum e que pode ocorrer mesmo seguindo todas as recomendações técnicas. São inúmeros os fatores que ocasionam o surgimento dessas patologias, porém, alguns cuidados podem evitá-las.

É fundamental, por exemplo, atentar-se ao clima no dia da aplicação do cimento queimado, conforme explica Márcia Rodrigues da Silva, técnica em edificações e tecnóloga em construção civil da Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo.

“Em dias muito quentes e com baixa umidade do ar, pode ocorrer a evaporação da água da pasta de cimento, provocando fissuras por falta de hidratação do cimento. Portanto, os dias mais propícios para a aplicação do cimento queimado são os dias em que a temperatura ambiente não ultrapasse os 24 °C e a umidade do ar esteja superior aos 50%. Caso não seja possível trabalhar nessas condições especificas, deve-se ter o cuidado de nebulizar água em intervalos regulares, ou até mesmo contínuos, durante a execução do cimento queimado”, comenta.

Os dias mais propícios para a aplicação do cimento queimado são aqueles em que a temperatura ambiente não ultrapasse os 24 °C e a umidade do ar esteja superior aos 50%

Márcia Rodrigues da Silva

Outro fator bastante comum que pode ocasionar o surgimento de trincas e fissuras é a quantidade de cimento utilizada no acabamento. “É comum que, ao realizar o cimento queimado, as pessoas queiram colocar mais cimento para garantir maior resistência. Porém, ao colocar mais cimento, há também a necessidade de hidratá-lo e, se essa hidratação for insuficiente, as trincas aparecerão logo nos primeiros dias de sua execução”, afirma Silva.

De acordo com Rubens Curti, engenheiro responsável pelo laboratório de concreto da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), também é recomendada a aplicação de juntas de dilatação. “Para evitar ou pelo menos minimizar o aparecimento de trincas e fissuras, deve-se aplicar juntas de dilatação, formando panos quadrados com dimensões próximas de 1,5 m. Essas juntas devem ser preferencialmente de material plástico ou metálicas, evitando as de madeira por questões de durabilidade. Elas devem ser inseridas de 2 mm a 3 mm acima do contrapiso.” Há também a possibilidade de utilizar ladrilhos hidráulicos para a execução das juntas de dilatação, garantindo maior valor estético.

MANCHAS

As manchas não são necessariamente um problema no cimento queimado. Elas fazem parte do estilo da solução. Porém, é necessário tomar alguns cuidados para que elas não se sobressaiam à coloração do revestimento. “As manchas podem ocorrer por diferença de tonalidade dos pigmentos, por falta de igualdade entre as quantidades de materiais utilizados durante a sua execução ou até mesmo pela presença de substâncias estranhas aos materiais utilizados”, detalha Silva.

É essencial realizar um controle de qualidade dos materiais, armazená-los em locais adequados e realizar uma homogeneização eficiente dos materiais, preferencialmente de toda a quantidade que será executada na obra, deixando somente a inserção da água para o momento da execução.

Vale lembrar que as manchas são inerentes ao cimento queimado, razão pela qual ele nunca terá uma cor sólida, e sim uma coloração com sutis diferenças de tonalidades caracterizando esse tipo de revestimento.

DESCAMAÇÃO OU DESPRENDIMENTO DA CAMADA DE ACABAMENTO

Para evitar ou pelo menos minimizar o aparecimento de trincas e fissuras, deve-se aplicar juntas de dilatação, formando panos quadrados com dimensões próximas de 1,5 m

Rubens Curti

A descamação ou desprendimento total da camada de acabamento pode acontecer em alguns casos. “Para evitar a ocorrência dessa patologia, deve-se realizar a limpeza da base e utilizar o adesivo junto com a mistura da pasta, além de realizar as juntas de dilatação, conforme recomendado”, afirma Silva.

POROSIDADE

Diversos fatores podem causar porosidade no cimento queimado, como baixa quantidade de cimento da pasta; alta quantidade de água na argamassa e na pasta; alta quantidade de grãos grossos de areia; e falta de técnica na execução do desempeno da superfície. Por isso, Silva listou quatro medidas preventivas para evitar o problema:

• Não exceder a quantidade de água da argamassa, dosando de forma que, ao pressionar uma quantidade de argamassa nas mãos, ela forme bolos coesos e bem aglutinados quando partidos.
• Evitar traços com pouca quantidade de cimento para a argamassa e dosar o polvilhamento do cimento sobre a argamassa tentando manter o valor médio de 500 g/m².
• Utilizar areia média na execução da argamassa de regularização e realizar um peneiramento para garantir a uniformidade dos grãos.
• Não salpicar muita água após o lançamento do cimento sobre a argamassa para evitar um novo lançamento de cimento e um grande número de passadas sobre uma mesma área.

Fonte: AECWEB