Dragas de sucção e recalque são indicadas para obras de desassoreamento

Indicadas para remoção de materiais sólidos do fundo de corpos d’água, as dragas de sucção e recalque são cada vez mais demandadas para o desassoreamento de rios, lagoas, mares, baías e canais de navegação. Entre os motivos que levam à busca por essas máquinas estão a mobilização e a montagem mais simples, a versatilidade de aplicação e o fato de poderem ser usadas em locais onde a qualidade da água não pode ser alterada pela realização do serviço.

Outro ponto a favor é a condução do material retirado através de tubulação, reduzindo o risco de vazamentos no transporte e a utilização de caminhões. “O bombeamento confere segurança à operação e reduz de forma sensível a pegada de carbono dos projetos”, explica Christiano Henrique de Souza Campos, oceanógrafo na Allonda Ambiental.

APLICAÇÕES MÚLTIPLAS

As dragas de sucção e recalque adquiriram novas aplicações nos últimos anos, tornando-se uma alternativa às máquinas de dragagem mecanizada, como escavadeiras, clamshells e draglines. “Até pouco tempo só se falava nesses equipamentos para extração de areia, mineração e manutenção de portos. Hoje, usamos a dragagem com fins ambientais, para remoção de resíduos e lodo em estações de tratamento de efluentes”, conta o engenheiro Renan Gobbo, diretor comercial da Soludraga.

As dragas colaboram ao permitir a remoção de sedimentos sem a necessidade de parada no sistema de tratamento de efluente. “Isso é extremamente importante para indústrias, nas quais qualquer interrupção traz um grande impacto financeiro”, acrescenta o engenheiro Daniel Barreto, gerente comercial da Allonda.

NOVOS DESENVOLVIMENTOS

Ao longo dos anos, os equipamentos para dragagem por sucção tornaram-se compactos. “Para se ter uma ideia, uma draga de 20 polegadas fabricada nos anos 1980 necessitava de oito carretas para transporte. Atualmente, um equipamento da mesma dimensão não pesa mais de 80 toneladas e é transportado por seis carretas”, compara o executivo da Soludraga. Ao mesmo tempo, a introdução de novas tecnologias de transmissão e motores mais eficientes reduziu o consumo de combustíveis fósseis e de itens de manutenção como filtros e óleos.

Incrementos importantes foram promovidos, ainda, para o acompanhamento e controle das operações. Hoje, é possível conhecer o local exato onde a draga está atuando em tempo real e com precisão submétrica. “A telemetria geográfica permitiu monitorar a qualidade da operação através de indicadores de vazão e do percentual de sólidos em linha. Esses parâmetros são analisados por softwares de controle de dragagem e geram respostas automatizadas que facilitam a tomada de decisão dos operadores”, diz Campos.

REQUISITOS DE OPERAÇÃO

Os principais requisitos para a operação das dragas de sucção e recalque são a disponibilidade de água e de mão de obra especializada. Também é imprescindível que a área de disposição comporte o volume dragado para evitar interrupções.

“A draga precisa ser dimensionada para o serviço a ser executado, levando em conta a distância de bombeamento, a altura manométrica, o peso dos sedimentos, o volume, entre outros fatores. Além desse dimensionamento técnico, o equipamento precisa de um plano de manutenções preventivas”, diz Gobbo.

A depender da resistência do material à dragagem, os equipamentos podem necessitar de adaptações no desagregador (sucção) e reforço no bombeamento (instalação de booster).

DESCARTE SEGURO

Visando a redução de impactos ambientais, as operações de dragagem deveriam ter como premissa o reaproveitamento do material dragado para engordamento de praias, para aterro em área portuária ou para barreiras costeiras, entre outras possibilidades. Contudo, essa é uma prática ainda pouco aplicada no Brasil.

Em vez disso, o mercado trabalha com duas principais técnicas de desidratação para separação das fases sólida e líquida dos sedimentos retirados. Na primeira, por centrífuga, o material dragado é desaguado para seu transporte e destinação final. A fase sólida é carregada em caminhões para descarte, enquanto que a fase líquida, livre de sólidos, retorna para o corpo d´água.

Já a técnica de secagem acontece por meio de bolsas geotêxteis, que armazenam os sedimentos, dispensando a água através dos poros de drenagem. Essa solução exige uma área previamente preparada e de dimensões consideráveis para acondicionamento das bolsas. “Ambos os processos funcionam bem. Cabe ao contratante analisar a opção mais adequada, levando em conta volume, tipo de sedimento e área disponível”, diz Gobbo.

Em obras de remediação ambiental nas quais o material dragado possui algum tipo de contaminação, os sedimentos devem ser obrigatoriamente confinados e posteriormente tratados de modo a impossibilitar que os contaminantes retornem ao meio.