Mercado aquecido: proprietários aumentam preço dos anúncios além do que é efetivamente vendido

O preço dos imóveis anunciados para venda na cidade de São Paulo subiu acima do valor real pelo segundo mês consecutivo. A conclusão é da edição de julho do Índice Preço Real EXAME-Loft (IPR). O indicador avalia mensalmente a diferença média de preço pedido pelos proprietários por seus imóveis com os valores efetivamente transacionados.

O IPR médio de julho para venda de imóveis foi de 19,19%, com aumento de 0,38 ponto percentual (p.p.) frente ao mês anterior.  Nos últimos três meses, o preço do m² efetivamente negociado aumentou 1,4%, enquanto o preço dos anúncios para esses mesmos imóveis mais que dobrou, alcançando 3%. 

O movimento é indicativo de que os proprietários estão vislumbrando oportunidades de incrementar os valores dos negócios. “O mercado de venda de imóveis está aquecido, e os vendedores estão vendo espaço para tentar aumentar seus retornos”, afirma Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft.

Esse aquecimento, no entanto, acaba se transformando em um tiro pela culatra. “É um movimento que tende a aumentar o tempo para que vendedores e compradores entrem num acordo. E isso é prejudicial para o mercado.”

Qual o metro quadrado mais caro de São Paulo para venda em julho?

O levantamento também aponta o preço do metro quadrado nos 50 bairros analisados. O Jardim Europa, na Zona Oeste de São Paulo, puxa os preços na cidade, com metro quadrado avaliado em R$ 21,4 mil para venda de imóveis.

Os bairros próximos à Faria Lima, centro financeiro da cidade, também entram na lista dos mais valorizados. Vila Nova Conceição, Itaim Bibi e Vila Olímpia têm m² avaliado em mais de R$ 12,5 mil. Veja abaixo a lista completa:

Metodologia do Índice Preço Real EXAME-Loft (IPR)

O Índice Real de Aluguel EXAME-Loft compara os preços cobrados pelos proprietários nas principais plataformas digitais com uma estimativa de valor real do aluguel. 

Os valores reais são recomendados por meio de inteligência artificial, com análise de 51 bairros da capital paulista. A startup utiliza para uma calculadora de preços – ferramenta de machine learning/IA treinada com 4,2 milhões de anúncios de transações de venda e aluguel em São Paulo.

Nos bairros onde o índice seja maior, a tendência é que haja maior margem de negociação. Já onde o índice seja próximo de zero significa que os locatários vão ter menos poder de negociação.

Vale lembrar que os dados mostram a média nos bairros; ou seja, podem haver imóveis específicos que não necessariamente sigam a tendência da região.

Fonte: Exame