A falta de mão de obra qualificada continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelo setor da construção no Brasil. De acordo com a Sondagem da Construção, realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), 82% das empresas relatam dificuldades para encontrar novos trabalhadores. Em março, o problema alcançou o maior índice desde outubro de 2012.
Recorde Histórico e Impacto nos Custos
O cenário é ainda mais crítico entre as empresas de serviços especializados, onde 70% delas afirmam não encontrar profissionais disponíveis no mercado – um recorde desde o início da série histórica em julho de 2010. Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, explica que a escassez de mão de obra qualificada, aliada ao crédito mais caro, tem deixado as empresas mais pessimistas no início deste ano. “Essa combinação eleva os custos e desacelera a atividade, embora haja sinais de retomada nas contratações”, avalia.
A tendência de aumento nos custos do setor é evidente quando analisados os dados acumulados em 12 meses. O índice de inflação da construção civil subiu 7,32%, um salto expressivo em relação aos 3,29% registrados em março de 2024. A mão de obra foi o item que mais impactou esse crescimento, com alta de 9,5%, enquanto componentes e materiais aumentaram 5,9% no mesmo período.
São Paulo Lidera Alta nos Custos
Em São Paulo, o quadro é ainda mais preocupante. O Índice de Custo da Construção Civil do estado (ICC-SP) registrou alta de 8,08%, com o componente mão de obra disparando 10,49%. Para comparação, em março do ano passado, os índices acumulados no Brasil e em São Paulo eram de 3,29% e 3,61%, respectivamente.
Fatores Econômicos Agravam o Cenário
O aumento dos juros iniciado em 2024 e as incertezas do cenário global ampliaram as dificuldades para o setor. “O forte choque de juros e as inquietudes econômicas trouxeram desafios adicionais para a construção civil”, destaca o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).
O estudo ouviu 656 empresas de sete capitais brasileiras: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Os resultados refletem uma realidade preocupante para o setor, que luta para equilibrar custos crescentes e demandas por novos projetos.


