Fortaleza – CE | segunda-feira 7 de setembro de 2026 / 12:02

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Alta de juros impulsiona busca por crédito no BNDES e operações podem somar R$ 30 bilhões

Com Selic elevada e cenário externo instável, grandes projetos de infraestrutura recorrem a pacote especial do banco para garantir viabilidade financeira.

O cenário macroeconômico global e doméstico frustrou as expectativas de quem apostava em uma queda acelerada das taxas de juros ao longo de 2026. A instabilidade internacional, agravada por conflitos no Oriente Médio, manteve a Selic na casa dos 14,25% ao ano. Como consequência direta, grandes concessionárias de infraestrutura que arremataram projetos recentes precisaram recalcular rotas, voltando-se de forma massiva para o crédito no BNDES.

Para atender a essa forte demanda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social estima que vai desembolsar mais de R$ 30 bilhões apenas neste ano. Esse montante será viabilizado prioritariamente por meio de um pacote de medidas anticíclicas elaborado para momentos de restrição monetária.

O papel decisivo do PEFI no crédito no BNDES

Criado em 2023, quando os juros também estavam em forte escalada, o Pacote de Estabilização de Funding para Infraestrutura (PEFI) tornou-se a boia de salvação para fechar as contas de grandes obras. O objetivo central da ferramenta é evitar que as empresas fiquem presas a financiamentos extremamente caros no longo prazo.

De acordo com Felipe Borim, superintendente de Infraestrutura da instituição, os mecanismos de flexibilização são fundamentais para que as contratações não parem. Somente em 2025, o programa já havia liberado cerca de R$ 15 bilhões, beneficiando fortemente as áreas de rodovias, ferrovias e aeroportos, incluindo a concessionária Aena. Para 2026, os segmentos de mobilidade e saneamento básico também devem puxar a fila das captações.

Opções flexíveis para o investidor

As linhas oferecidas contam com produtos que permitem uma certa maleabilidade diante da imprevisibilidade da curva de juros. O chamado mini-perm, por exemplo, confere liquidez na largada dos projetos e possibilita uma renegociação futura caso o cenário macroeconômico melhore.

Além disso, os tomadores de crédito no BNDES têm a alternativa do custo flexível. Neste modelo, o cliente decide, na hora em que o dinheiro for liberado, se prefere atrelar a dívida à Taxa de Longo Prazo (TLP) definida no contrato inicial, ou se opta por um custo referenciado pelo IPCA do momento.

O desafio das debêntures institucionais

Outra frente de trabalho do banco de fomento está na transição dos modelos de debêntures. Hoje, as concessões dependem fortemente das debêntures incentivadas, que oferecem isenção fiscal para pessoas físicas. No entanto, o governo sinaliza um possível esgotamento dessa fórmula a longo prazo.

A alternativa estrutural pretendida pela equipe econômica, validada pela Lei 14.801/2024, são as debêntures de infraestrutura focadas em fundos e grandes instituições financeiras. O obstáculo atual, contudo, é a alta atratividade dos títulos públicos. Com papéis atrelados à inflação (NTN-B) rendendo quase 8% ao ano no Tesouro, atrair o investidor institucional para o risco da infraestrutura segue sendo um desafio que o mercado tentará superar nos próximos meses.

Fonte: Redação
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