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Avanço da China em máquinas e equipamentos pressiona indústria brasileira

Importações recordes de aço, máquinas e calçados intensificam concorrência, enquanto exportações brasileiras recuam e ampliam dependência do mercado asiático

O protagonismo da China no comércio global deixou de se restringir à siderurgia e hoje alcança diversos setores, despertando crescente preocupação entre empresários brasileiros. No primeiro semestre de 2025, a balança comercial entre Brasil e China apresentou superávit de US$ 12 bilhões — o menor desde 2019. A queda de 7,5% nas exportações nacionais, combinada ao aumento expressivo das importações, consolidou o país asiático como principal fornecedor do mercado brasileiro. Esse movimento é resultado, em parte, da guerra tarifária entre Estados Unidos e China, que levou o gigante asiático a direcionar parte de sua produção para o Brasil.

Entre os segmentos mais impactados está o do aço. Só no semestre passado, as importações brasileiras ultrapassaram 2 milhões de toneladas vindas da China. Como consequência, indústrias que dependem do insumo — a exemplo de máquinas e equipamentos — enfrentam forte concorrência dos produtos chineses.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) alerta para os riscos da perda de competitividade. Segundo o presidente da entidade, José Velloso Dias Cardoso, o Brasil já teve protagonismo semelhante ao chinês no setor, mas perdeu espaço rapidamente. “Em 1990, exportávamos volume equivalente ao da China. Hoje, eles respondem por 20% do mercado mundial, enquanto o Brasil fica com apenas 1%. Nosso faturamento encolheu pela metade em 30 anos”, afirmou durante o Congresso Aço Brasil, realizado em agosto. A entidade defende políticas industriais consistentes, com incentivos à inovação, revisão da política de importações e fortalecimento da cadeia produtiva nacional.

Para especialistas, a competitividade chinesa é resultado direto de estratégia estatal. William Hess, co-CEO da PRC Macro Consultoria, explica que investimentos massivos em energia renovável tornaram a matriz energética da China mais barata, fator que reflete nos preços finais das exportações. Ele prevê ainda que o país deve investir até US$ 12 trilhões em outros mercados até 2040, ampliando sua influência global.

Na mesma linha, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho, ressalta que a vantagem competitiva não é natural. “A energia barata é fruto de planejamento estatal, não de condições de mercado. Além disso, a capacidade de produção muito acima da demanda, a transferência forçada de tecnologia e os baixos salários distorcem a concorrência mundial”, pontua.

Outros setores também sentem os efeitos. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) registrou retração nas encomendas, sobretudo nas linhas populares, mais pressionadas pela entrada dos produtos chineses. Já a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) adota tom mais otimista: embora tenha perdido 1 ponto percentual de participação no mercado ao longo das últimas duas décadas, ainda preserva posição significativa no cenário nacional e vê espaço para recuperação.

Esse avanço chinês, ao mesmo tempo em que amplia a dependência brasileira das importações, reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção da indústria nacional. Sem medidas estruturais, setores estratégicos correm o risco de perder competitividade e de ampliar ainda mais a distância em relação ao gigante asiático.

Fonte: Redação
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