A Black Friday ganhou novo protagonismo no mercado de materiais de construção em 2025. Depois de ocupar apenas a sexta posição entre as categorias mais pesquisadas pelos brasileiros no Google no ano anterior, “casa e construção” avançou para a segunda colocação, indicando que o consumidor está mais racional e focado em compras estratégicas para reformas e projetos de maior investimento.
Diferentemente de outros segmentos do varejo, o período não movimenta compras impulsivas. Ele funciona como uma oportunidade para quem já está tocando uma obra ou pretende iniciá-la no curto prazo. Um levantamento da Juntos Somos Mais mostra que 86% dos consumidores que buscam descontos na data estão diretamente envolvidos com reformas ou pensam em começar uma nos meses seguintes, estimulados pelo pagamento do 13º salário e pela folga no fim de ano.
Esse comportamento provoca uma reação antecipada em toda a cadeia logística, e os indicadores mostram isso com clareza. Entre setembro e outubro deste ano, o volume transportado pela Brado — referência nacional em logística multimodal — praticamente dobrou, registrando crescimento de 94% nas cargas destinadas ao setor. O avanço reflete a necessidade de reforçar os estoques antes do pico de vendas.
De acordo com Gabriel Gustavo Gonçalves Ferreira, especialista comercial de bens industriais da empresa, os clientes começam a se preparar já em outubro. Ele afirma que, dentro do portfólio da Brado, a maior parte das cargas ligadas à construção corresponde a pisos e cimento. Segundo o especialista, o aumento nos embarques nesse período ocorre porque as empresas precisam antecipar a reposição para garantir previsibilidade e disponibilidade durante a Black Friday.
Os produtos saem majoritariamente do estado de São Paulo com destino aos terminais ferroviários da companhia no Mato Grosso e no Maranhão. A partir daí, as cargas seguem por via rodoviária até varejistas e distribuidores nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, ampliando a cobertura logística no período.
Ferreira explica que esse planejamento é indispensável. O volume de pedidos atinge o auge entre outubro e a primeira metade de novembro, enquanto o ciclo médio de abastecimento leva cerca de 40 dias. Por isso, o setor trabalha para que os materiais cheguem às lojas até 15 de novembro, período considerado crucial para atender o aumento da procura do consumidor final.
Apesar do avanço no transporte relacionado à Black Friday, o movimento logístico não se restringe a esse momento específico. Todo o segundo semestre apresenta uma demanda mais aquecida, impulsionada também por bens de consumo e defensivos agrícolas. Esse cenário exige da Brado e de seus parceiros reforços em capacidade ferroviária, operações rodoviárias e em atividades de crossdocking para dar conta da pressão adicional de movimentação.
