A Casa dos Ventos, referência em soluções de energia renovável, confirmou planos de investir R$ 150 bilhões no desenvolvimento de um mega data center no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), em Caucaia (CE). O aporte contempla um investimento inicial de R$ 50 bilhões e outros R$ 100 bilhões na segunda fase do projeto, segundo o diretor de Inovação da companhia, João Caldas.
As obras devem começar até dezembro de 2025, com a terraplanagem do terreno e a construção dos primeiros prédios. A previsão é de que a operação do data center tenha início no segundo semestre de 2027.
Estrutura em duas fases
A primeira etapa envolve a preparação do terreno, edificação de dois prédios e instalação de equipamentos de última geração para processamento e armazenamento de dados, incluindo sistemas avançados de refrigeração.
Já a segunda fase será dedicada à conectividade do empreendimento. Para alimentar o consumo de energia, a Casa dos Ventos construirá novos parques eólicos e solares no Nordeste, com capacidade diária de 2.023 megawatts (MW).
Impactos econômicos e sociais
O projeto deve gerar mais de 25 mil empregos diretos e indiretos, movimentando a economia local e nacional. Além disso, utilizará benefícios fiscais da Zona de Processamento de Exportação (ZPE Ceará) para importação de equipamentos tecnológicos e exportação de serviços digitais via cabos de fibra óptica já conectados a hubs internacionais.
As contrapartidas incluem:
- Criação de um Centro Tecnológico na Região Metropolitana de Fortaleza;
- Capacitação de fornecedores locais;
- Investimento de R$ 90 milhões na construção de 100 km de fibra óptica para conectar escolas públicas em Caucaia e São Gonçalo do Amarante;
- Aplicação de R$ 5 milhões para equipar escolas com infraestrutura tecnológica;
- Implantação da Subestação Pecém III, de R$ 300 milhões, para reforçar a rede elétrica do Complexo;
- Apoio ao projeto “Ceará Valley”, que busca posicionar o estado como um hub global de tecnologia.
Integração com a transição energética
O data center será complementado pelo Projeto H2 Pecém, iniciado em 2021, que prevê a produção de até 900 mil toneladas de amônia verde por ano até 2029. A iniciativa reforça o papel do Ceará na exportação de hidrogênio verde e derivados, aproveitando a abundância de fontes renováveis na região.
Infraestrutura estratégica em andamento
Outros investimentos confirmados para o Pecém incluem:
- Ferrovia Transnordestina, prevista para 2028, que deve movimentar 6 milhões de toneladas no primeiro ano;
- Terminal de Tancagem da Dislub Equador, com R$ 430 milhões em investimento e início em 2027;
- Hub de Hidrogênio Verde, com pré-contratos que já somam US$ 24 bilhões em aportes;
- Parcerias internacionais para logística de amônia verde e fornecimento de água de reúso na ZPE Ceará.
Para João Caldas, o projeto consolida o Ceará como um grande polo tecnológico e energético. “É uma oportunidade concreta para o Brasil exportar serviços de alto valor agregado, gerar emprego qualificado e acelerar a transição energética”, destacou.


