A indústria brasileira de cimento encerrou o terceiro trimestre de 2025 em trajetória de crescimento, ainda que moderada. Em setembro, foram 6,1 milhões de toneladas comercializadas, alta de 4,6% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). No acumulado de janeiro a setembro, as vendas chegaram a 50,3 milhões de toneladas, avanço de 3,0% frente ao ano anterior.
O volume vendido por dia útil, indicador importante para o setor, atingiu 252,8 mil toneladas, queda de 1,9% ante setembro de 2024. Apesar disso, no acumulado do ano, houve crescimento de 3,7%, evidenciando a resiliência da cadeia produtiva diante das pressões econômicas.
O desempenho reflete uma dualidade no ambiente macroeconômico: de um lado, o mercado de trabalho aquecido; de outro, juros altos, endividamento e inadimplência elevados. A taxa de desemprego atingiu o menor patamar histórico (5,6%), enquanto a massa salarial cresceu 1,4%. O consumidor mostra mais confiança, mas enfrenta o desafio da renda comprometida, com 47,93% da população inadimplente e 48,57% endividada, segundo dados de julho de 2025.
A conjuntura impacta diretamente o setor da construção civil, que demonstrou pessimismo no terceiro trimestre. Houve queda na confiança dos segmentos de Preparação de Terrenos e Obras de Acabamento, além de menor demanda por serviços. A Selic em 15% mantém o crédito restrito e reduz o apetite por investimentos imobiliários.
Os lançamentos de imóveis caíram 6,8% no segundo trimestre, e o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) recuou 15,5% no mesmo período. Como reflexo, o financiamento via SBPE para construção despencou 55,4% até agosto em relação a 2024. Essa desaceleração também atingiu as vendas de materiais de construção, levando à revisão da projeção anual do setor, de 2,8% para 1,8% de crescimento em 2025.
Mesmo com o cenário de incerteza, a indústria do cimento segue otimista com dois motores principais de crescimento: habitação e infraestrutura. A projeção do SNIC indica avanço de 2% no consumo total neste ano.
Na frente habitacional, a expectativa é que a expansão das faixas de renda do MCMV eleve a meta do governo a 2 milhões de moradias até 2026, o que deve acrescentar até 3 milhões de toneladas anuais ao consumo de cimento. O novo modelo de crédito imobiliário e o programa de reformas residenciais também devem injetar R$ 20 bilhões no mercado, ampliando o acesso ao financiamento em um ambiente de crédito restrito.
Já na infraestrutura, o setor de saneamento básico continua atraindo investimentos, e o pavimento de concreto vem se consolidando como solução preferencial nas rodovias e vias urbanas, por sua durabilidade, sustentabilidade e menor impacto ambiental.
O Brasil, quarta maior malha rodoviária do mundo, tem apenas 12,4% das estradas pavimentadas, o que reforça a urgência de ampliar investimentos. Estados como Paraná, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal vêm se destacando pelo uso do concreto em pavimentação, tecnologia já adotada por cerca de 200 municípios por benefícios como redução das ilhas de calor e maior luminosidade nas vias.
“A indústria do cimento mostra resiliência, sustentando resultados positivos mesmo em meio às incertezas econômicas. A aposta em habitação social e infraestrutura sustentável continua sendo um pilar para o crescimento econômico e ambiental do país”, afirma Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC.
Com a integração entre inovação, eficiência e responsabilidade ambiental, o setor se posiciona como vetor estratégico do desenvolvimento nacional, conciliando crescimento econômico e sustentabilidade para os próximos anos.
