Com estoques em 3,6 meses — patamar considerado elevado pelo Instituto Brasileiro de Distribuição de Aço (Inda) — e juros básicos em torno de 14% ao ano, o mercado de aço não vê espaço para reajustes de preço no curto prazo. A leitura é do próprio Inda, que aponta o custo de carregamento de estoque como um desincentivo adicional à manutenção de posições elevadas nos distribuidores.
Por que os estoques subiram — e o que frustrou a estratégia
O acúmulo de estoque nas distribuidoras não foi casual. Segundo o Inda, a percepção dominante no mercado era de que as usinas produtoras elevariam seus preços — o que levou os distribuidores a aumentar as compras para garantir volumes pelo preço anterior. Como essa perspectiva de grandes reajustes não se concretizou, a estratégia perdeu a racionalidade e gerou o excesso atual.
Com juros a 14% ao ano, manter capital imobilizado em produtos estocados representa um custo financeiro expressivo para as empresas. A orientação do Inda é clara: “Seria saudável, e é o que recomendamos aos nossos associados, que diminuam esses estoques”, afirmou o representante da entidade.
Importação indireta aperta a demanda interna
Além do excesso de estoques, o mercado de aço enfrenta outro vetor de pressão: a concorrência da importação indireta. Trata-se do aço incorporado aos produtos industrializados importados pelo Brasil — que reduz a demanda doméstica pelos produtos siderúrgicos nacionais sem aparecer nas estatísticas de importação direta de aço.
As compras das distribuidoras avançaram em julho, mas o acumulado do ano permanece negativo, com retração de 2,9%. A perspectiva do Inda aponta crescimento de aproximadamente 1,5% nas vendas de agosto em relação a julho, porém insuficiente para reverter o resultado negativo do acumulado. “Dificilmente vamos ver um crescimento do aço esse ano”, sintetizou.
