Fortaleza – CE | quinta-feira 15 de janeiro de 2026 / 04:58

Exportações brasileiras batem recorde em outubro com alta de 9,1%, apesar da alta nas tarifas

Diversificação para Ásia e Europa compensou impacto do tarifaço imposto pelo governo norte-americano, segundo dados do MDIC

As exportações brasileiras cresceram 9,1% em outubro na comparação com o mesmo mês de 2024, alcançando US$ 31,97 bilhões e registrando o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 1989. O resultado veio mesmo após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que provocou forte retração de 37,9% nas vendas para o país. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Com as importações somando US$ 25,01 bilhões, a balança comercial brasileira fechou o mês com superávit de US$ 6,96 bilhões. Apesar da perda no mercado norte-americano, a ampliação das exportações para a Ásia e a Europa foi decisiva para o saldo positivo.

Segundo o MDIC, as exportações para a América do Norte caíram 24,1%, reflexo direto das tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump. A principal queda veio dos embarques de petróleo, que despencaram 82,6%, representando uma perda de cerca de US$ 500 milhões. Também recuaram as vendas de celulose (-43,9%), óleos combustíveis (-37,7%) e aeronaves (-19,8%). “Mesmo produtos que não foram tarifados, como óleo combustível e celulose, sofreram queda”, explicou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC.

Em contrapartida, a diversificação das exportações ajudou a compensar as perdas. As vendas para a Ásia avançaram 21,2%, impulsionadas por fortes altas para China (33,4%), Índia (55,5%), Cingapura (29,2%) e Filipinas (22,4%). Entre os produtos que mais cresceram estão soja (64,5%), petróleo bruto (43%), minério de ferro (31,7%) e carne bovina (44,7%).

Na Europa, as exportações subiram 7,6%, com destaque para minérios de cobre (823,6%), carne bovina (73,4%) e celulose (46,8%). Já a América do Sul apresentou aumento de 12,6%, impulsionado pelos embarques de óleos brutos de petróleo, que cresceram 141,1%.

Brandão observou que as vendas para os EUA vêm em queda constante nos últimos três meses — 16,5% em agosto, 20,3% em setembro e 37,9% em outubro. Segundo ele, o recuo reflete não apenas o impacto das tarifas, mas também uma possível desaceleração da demanda norte-americana. “A principal queda, em termos absolutos, foi no petróleo bruto, que nem sequer foi tarifado. Isso mostra que há outros fatores afetando o desempenho das exportações para os Estados Unidos”, concluiu.

Fonte: Redação

PUBLICIDADE